terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Enquanto a cidade dorme


Estou de volta meus queridos leitores! Peço perdão por esse longo período de ausência, mas realmente precisava de vírgulas, pausas para retornar com fôlego renovado para o blog. O Natal passou, mas nem por isso vou deixar de desejar meus votos de prosperidade e muita alegria para vocês que dedicam seu tempo para vir até aqui e contribuir com pedacinho de cada um. Seja em seus depoimentos ou diversas demonstrações de carinho. Temos um Ano Novinho e cheio de novidades por vir.
 Enfim... entreguei os primeiros capítulos do temido livro, de uma das disciplinas finais da facu. Confesso que estava ansiosa com o parecer do professor, contudo, o resultado foi bem compensador e agora respiro mais aliviada. Compartilho com vocês o capítulo inicial e aguardo a opinião, críticas e sugestões.
Lembro a todos que se trata de um romance de não ficção, ou seja, o fato (nesse caso um acidente automobilístico) aconteceu, porém os pormenores e algumas circunstâncias são fruto da mais pura literatura não contendo traços da realidade. Todos os depoimentos, detalhes e dados são produtos de entrevistas com alguns dos envolvidos, clipagens de matérias jornalísticas, consulta à base processual todos devidamente documentados. O nome das personagens foram alterados para preservar a segurança das mesmas.
Espero que gostem e boa leitura!
Keli Wolinger

Capítulo 1

Encruzilhada
Rasgou a madrugada ecoando entre as ruas um estrondo tão intenso quanto o despertar de um monstro enfurecido. O barulho do metal tilintando contra o asfalto abafou-se em seguida com o soar ininterrupto de um alarme.
Os moradores, assustados, abrem suas janelas na tentativa de identificar de onde vinha o som ensurdecedor que os fez acordar naquela até então, tranquila noite de sábado.
Pairava no ar o cheiro de pneu queimado no asfalto, gasolina, fumaça e destruição. O motor do automóvel rugia como um animal agonizando. O letreiro luminoso no teto do carro piscava enquanto faíscas saltavam junto com a fumaça. Os pedaços do carro espalharam-se pela extensa em Avenida Santos Dumont, popularmente conhecida como Terceira Avenida em Balneário Camboriú.
O soar contínuo do alarme provinha de um estabelecimento comercial invadido por uma camionete preta que estilhaçou uma parede de vidraça, rompeu uma coluna de concreto e arrastou os móveis em exposição. 
Antes do nascer do sol, por volta das 5h da madrugada do dia 20 de dezembro de 2009, no cruzamento da rua 2000 com a Terceira Avenida, o motorista da camionete, acompanhado de mais dois jovens, voa baixo com os faróis apagados e colide na lateral de um  táxi. O táxi percorria a via principal sentido Norte/Sul. Após a batida o carro do estudante invade uma loja de móveis planejados. Durante o choque violento entre os automóveis, o táxi foi arremessado do outro lado da rua.
Vinte e nove segundos. O tempo exato da criação de um cenário devastador. Entre o metal contorcido, os airbags acionados, restos de concreto e vidros despedaçados, três jovens se debatem dentro de um veículo parcialmente destruído. Um empurra o outro para tentar sair mais depressa. Enfiam os braços para fora do carro na tentativa de destravar a porta emperrada. Só conseguem destrancar a porta traseira da direita. Pulando um sobre os deixam para trás a camionete.
O jovem motorista sai à procura do alvo que por fatalidade atingiu. Sua visão está embaralhada, a cabeça retumba como a maior relojoaria do mundo a meia noite. Desorientado cambaleia em direção ao esboço desfocado à sua frente.
Algo quente escorre pelos seus olhos. Instintivamente a ponta dos dedos toca sua testa. Sentiu-se vendo o mundo de dentro de uma gaiola, olhando tudo através de uma película vermelha. Engoliu seco, arqueou-se ao longo do corpo, a cena exposta era estarrecedora. A pulsação acelerou e a assimilação com a realidade o fez despertar do transe. O grito não saiu, ficou preso na garganta.
Há corpos estendidos no chão. Três ocupantes do táxi foram jogados para fora do carro. Um tapete vermelho se alarga na calçada de petit- pavé.
Dentro do veículo o taxista, preso pelo cinto de segurança, agoniza. Em meio à destruição e o caos um sopro de vida. A quarta ocupante do táxi respira fracamente.
Um burburinho generalizado toma conta do local. Em poucos minutos a extensa avenida é tomada por curiosos. O jovem está sozinho. Seus amigos o deixaram à mercê da própria sorte. Assustados com a gravidade do acontecido, os dois ocupantes da camionete deixam o local do acidente.
Confuso, ele não consegue identificar quanto tempo se passou desde que abriu a porta e andou até aquele caminho. Seriam quinze, vinte, trinta segundos? Ou talvez mais? Já não sabia ao certo se realmente estava acordado.
As luzes vermelhas estroboscópicas das viaturas podiam ser vistas a 500 metros, e pintavam todo o céu de vermelho; as sirenes alarmantes ecoavam furiosamente entre as vielas.
Policiais se apressam para chegar até o aglomerado de pessoas que bradam agressivamente contra o jovem - com as roupas manchadas de sangue. Enquanto os guardas tentam conter o avanço dos populares e interrogar previamente o condutor da camionete, os socorristas cobrem os corpos expostos no asfalto e iniciam a reanimação dos sobreviventes.
A noite estava longe de chegar ao fim.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sem saber do amanhã


“Desenhei miragens tolas nas margens do seu deserto e uma verdade impossível só pra ter você por perto. Skank”



Dentro de mim existe uma louca e uma coerente. Depende de qual desperta pode – se ouvir os pensamentos pedindo conselhos ao silêncio. Nunca saberei ao certo qual o resultado do estrago que causei. Do medo que escondi, do grito que silenciei, da lágrima que caiu e do beijo que te neguei. Minha alma está algemada em memórias irreais, dentro do peito arde a chama da lucidez. Você duvidou da minha coragem e da sensatez das minhas palavras. Também sei ser fogo sem queimar e saudade de doer. Quando te disse para não voltar fui sincera, porém você não acreditou que eu desataria os laços que nos uniam. Na verdade seu orgulho jamais permitiu admitir que eu sobreviveria sem a sua presença. Seu sorriso não me assusta, sua voz não me condena. Por mais distante que eu deseje estar desse amor mais profundo ele adentra na caixa torácica. Que me sufoque a distância, ainda assim sussurrarei verdades. Não temo tempestades, pois os ventos desalinham meus cabelos e me fazem voar. Quando meus pés tocam o céu, fecho os olhos, uma certeza me faz recuar... eu morri. Com um riso travesso lá vai o amor, saltitando pelas nuvens levando em suas mãos aquilo que um dia chamei de coração.

Keli Wolinger

sábado, 20 de novembro de 2010

Inexata



Eu de mim mesma só saberia que sou palavra. Maiúscula. Adjetivada em paradoxos de passados recentes. Permita-me então te fazer um pedido: não invada meus pensamentos se não for me levar por inteira, metade de mim não sabe ser ausência. Eu ainda estarei aqui quando você precisar e acreditarei no amor mesmo que todos os motivos me levem a desistir, entretanto, eu persistirei. Remanesce no peito frases subjacentes que me fazem cansar de procurar por você deixo que me encontre se quiser. Em ritmos descompassados pluralizo sonhos. Para que se abram jardins quando meus pés tocam o solo e deixem assim meu coração aberto, pronto para intensificar o tempo que tarda quando você não está.

Keli Wolinger 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um caso de amor

Eis o motivo da minha ausência e tormento. Sou vítima de uma febre incontrolável. Uma paixão que me tira o sono, desassossega o coração, me faz perder o ritmo e correr contra o tempo. Um sentimento que corroí minhas vontades e me faz entregue, capaz de despertar os mais ocultos segredos da alma. Por esse mal haverei de renascer equilibrada, entre as pluralidades despertada por esse amor que trago dentro do peito. Keli Wolinger



Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.

É dele ... Gabriel Garcia Marquez




sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Post Mortem - Cartas para mim

“À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios. Venho de longe – de uma pesada ancestralidade”. Clarice Lispector

Quando forem passados tantos invernos e eu desconheça se é noite ou se é dia, ao olhar no espelho e perceber as marcas talhadas pelo tempo, que eu tenha capacidade de reviver as lembranças que fui esquecendo. A saudade preenche os corredores de ausências e bate na porta da memória, para reviver os choros sem razão, os momentos de perdão e erros cometidos por ilusão. Reafirmarei que sou feita de desistências sem motivos, de sonhos incontidos, noites mal dormidas, amores sem pontos finais e urgências excessivas. Sentirei por tudo aquilo que não esqueci, conheci, vivi e não amei. Tocarei instantes que não mudei e medos que enfrentei. De quando fugi para não enfrentar e sorri querendo chorar. Me fará falta as palavras que não disse, os abraços que não dei e o amor que e não quis receber. Viverei do findo, desprezando emoções fracas que não despertam paixão, ódio ou amor. Despertará em mim a efemeridade que estremece dos ossos as entranhas essas permanecerão.

Keli Wolinger

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Miudezas


Prometo não falar mais em saudade. Contudo relembrei – me disso tantas vezes que nem sei se faz mais sentido. Esqueci de te esquecer, fato simples assim. Procurei pintar com outras cores além do rubro, os olhos marejados pelo desgosto. A vida me apresentou dias cinzas, aos quais meus olhos acostumados com a penumbra cegaram-se diante das cortinas abertas da lucidez. Que ar denso tem a lembrança. Torna a respiração mais difícil, inconstante como se alimentar de farelos de esperança e beber vontades. Aspirar pó de momentos quando tudo se torna maior que a ausência de você. Prometa-me!Você me encontrará na curva da interrogação e de maneira incerta apagaremos as pegadas, rastros do que um dia fomos. Não sei por que (por qual razão) ainda escrevo diante de páginas em branco, se você nem ao menos as lê. Faço isso para me livrar de memórias? Não. Faço para lembrar, porque sou acometida por uma febre de sentir....

Keli Wolinger

PS: Garoto Alan^^ dedicado para você neste dia muito especial seu aniversário :D Tudo de bom, sucesso e bastante prosperidade. Beijo no core

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Atemporal

Dê-me sua mão quando estiver com medo do escuro da noite. Caminharei a passos de estrela ao seu lado para te indicar o caminho.

Adormeça com a certeza de que penso em você quando fecho os olhos. Verbalizo em maiúsculo nossos sonhos.

Sabe de um segredo? Tenho problemas com vírgulas, pausas, espaços vazios de você e nesse momento sou vestígio, rastro do seu percurso.

Conheço a cartografia da sua pele. Num contentamento descabido de razões conjugadas no presente mais perfeito. Em grafia insolúvel, no íntimo, escrito às cegas de modo intenso e preciso perdura seu nome.

Não é pecado pensar em você, nem imaginá-lo pensando em mim. Passadas dúzias de primaveras, seu sorriso de sol aquece por vezes o frio que se faz dentro do peito.

Você aprendeu o sentido do meu não, meus silêncios necessários e as palavras transcritas em lágrimas. Descobriu o nome do meu sorriso e os versos do meu olhar.

Soltarei então o freio do tempo. O sábio guardião da experiência nos conduzirá pelos anos insondáveis que ainda compartilharemos. Somos o que existe além do infinito.

Keli Wolinger

*Para uma pessoa muito especial - meu noivo Ricardo, em comemoração a esta data peculiar. Viva nós!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Preciso continuar o [In]acabado

Só saberei o caminho quando atravessar esse corredor de ausências. Apetece-me saber que minha procura acaba na esquina da escolha. Do melhor amor, o por si próprio. Atrai-me experimentar o inacabado, incompleto, o rascunho, aquilo que acontece comigo quando recebo a dor que não me pertence. Gosto de olhar para o acúmulo de muitos mundos que habitam em mim. Não me importo. Verbalizo. Seco sonhos. Mudo o ritmo. Segrego amores, escondo os gritos no silêncio e pluralizo segredos. Quando vejo já estou invadida, submersa em frases sem pontos finais na reticência de passados presentes. Preciso de vírgulas. Um dia sou multidão, no outro solidão. Ignoro o fato de que existo quando não sou, de quando só encontro singularidade porque me deixei conter. Vivo daquilo que ainda não veio, entretanto se abre os baús das memórias oníricas e toco rostos. Tardo para estar lá e compreender como ainda toco as peças desatentas do destino no escuro. Limito-me a ser assim, sem culpas.
Keli Wolinger

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Enquanto houver amor

Não entenda minha desistência como um ato falho. Foi a maneira encontrada de não sofrer. Apenas deixar ir.

Enquanto morei em seu abraço e escrevi amores com grãos de areia sobrevivi por inteiro. Completa. Tão intenso foi a presença, o toque, o cheiro o inteiro.

Enquanto a lua gritava sonhos ao manto prateado que cobria o céu,nossos passos foram apagados por ondas que furiosamente beijavam a areia.

Observei as palavras, juras e promessas feitas ruírem sobre o chão. Espalharam-se cacos de sentimentos por todos os lados. Cuidadosamente juntei-os um, por um.Guardei-os zelosamente em um lugar seguro, do lado de dentro.

Aquilo que se passa sem razão ou porque, dentro do peito dispensa explicação.

Reparti com você o melhor de mim. Você me mostrou seu eu mais perfeito. Juntos colorimos o desconhecido.

Sobrou o muito de mim que te assombra, e o pouco de ti que me faz feliz. Seremos eternamente gratos ao amor, nesse breve momento do por enquanto.

Keli Wolinger

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Auto Retrato


Tenho sérios problemas em aceitar não como resposta. Estou sempre perguntando por que (por qual razão), só para descobrir aquilo que já sei.

Acredito em mentiras sinceras. Sou dúbia, porém sei o que quero.

Não acredito em quem não se irrita, não sofre e nunca ama.

Encanta-me os pequenos gestos, o sorriso sincero, um abraço afável e o silêncio confortador.

Tudo que é previsível não me atrai, a beleza está na superação em arriscar tudo de novo.

A coragem é minha companheira, assim como a esperança que nunca me abandona.

Posso morrer de tédio, ser sufocada por lágrimas durante uma noite para renascer serena e com sorriso de sol.

Porque foi caindo que aprendi a levantar. Descobri quem eu sou quando me deixei perder.

Keli Wolinger

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Onde começa você

"O que a memória ama, fica eterno. Te amo com a memória, imperecível . Adélia Prado"


Não sei o que faço com esse amor. De tanto contar estrelas ele se fez nova galáxia.

Sobrevivi às mentiras que acreditei e aos dias esquecidos de verão inventados.

Te segui para encontrar algum caminho sem saber que você também estava sem direção.

Nova face no espelho a contemplar o belo inexistente passado subjetivo.

Fez-se outono dentro do peito para deixar cair às folhas desgastadas da complexidade à espera de renovação primaveril.

Do sentimento latente desconcertante que nos envolvia ficou o amor da lembrança, ainda somos um, porém não mais como antes.

Aceito suas promessas falhas porque te amo, não mais por inteiro apenas a metade que me convém.

Keli Wolinger

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

No passar das horas...

Paciência requer muito tempo. Ela não se assemelha a outras virtudes atemporais como o amor ou o ódio, é necessário muito esforço para desenvolvê-la.
Aceitar que sou uma única alma, porém habitada por anjos e demônios, duas faces de um só rosto e corpo que vagam a procura de encontrar um sentido para quem perdeu – se de si mesmo.
Difícil entender que solidão não significa carência, e sim um retiro voluntário de emoções.
É preciso livrar-se de erros do passado, soltar as amarras do pensamento, jogar fora as roupas em desuso e abandonar velhos hábitos. Torna-me mais forte saber que tudo o que sinto um dia acaba.

Keli Wolinger

sábado, 21 de agosto de 2010

Reinvenção do Tempo

“A quatro mãos escrevemos o roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu.Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério ”Lya Luft


Esqueci por quanto tempo vivi entre linhas os capítulos da minha existência. Conjuguei no tempo presente do modo errado os verbos amar, esquecer e lembrar.

Versos inteiros de um poema de rimas tortas e descalças, desconexo para alguém que como eu tem pretensões ao exagero tudo em mim é demais desde o amor ao esquecimento.

Quanto a entender, peço apenas que permita-me o silêncio , só assim poderá medir qual é o peso da lagrima contida na ausência de palavras.

Prolonguei seu esquecimento pelo tempo necessário para acostumar a caminhar sem seus passos ao lado dos meus.

Por quanto tempo reescrevi sobre páginas viradas, que dos rascunhos foi possível construir novos inícios para finais inacabados.

Não posso te oferecer mais do que tenho, do plural somos hoje singular.
E do pouco de mim que te assusta resta o muito de você que se perdeu.

Keli Wolinger

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Embriaguez de Sentimentos

“Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz... Clarice Lispector”



Acordei de sobressalto durante a noite tão embriagada de ti.

Lembranças dos beijos que não dei e dos teus braços ao meu entorno.

O pulsar incessante do coração e o ritmo descompassado da minha respiração
ascenderam memórias fenecidas de você.
Apenas o silêncio conversou comigo e andou ao meu lado
enquanto eu percorria o corredor de meus sentimentos.

Os pensamentos divagadores bateram o pé na porta
da minha fraca certeza de esquecer – te e entraram.

A parede sólida, mas tênue que nos separa se abala.
Zombeteiro e infantil, o som de seu sorriso invade
as muralhas que me cercam e aterroriza.
Embevecida de você sinto seu olhos em mim e ouso
olhar novamente para aquele abismo em que um dia mergulhei.

Keli Wolinger

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sobrevivendo aos temporais


Ancorei meu coração no cais da esperança.

O barqueiro do tempo navegou por ondas tempestivas das incertezas,

para me avisar que no próximo porto as expectativas me esperavam.

Maré alta e ventos contrários vieram em minha direção, mas uma leve brisa

de entusiasmo deram leveza aos meus pensamentos e impulsionaram meus sonhos.

Remando contra a corrente a exaustão toma conta de mim deixo-me levar, sigo para o nada.

Ao abrir os olhos percebo que a mesma força com a qual lutei até esvair-me

tornou-me forte para enfrentar o furacão que passava por mim enquanto dormia.

Keli Wolinger

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Do fim ao começo e do começo ao fim....

De Volta! Caros leitores desculpem minha ausência, mas eu precisava de tempo para pensar, respirar e descansar. Férias tão merecidas. O silêncio, o nada, apenas seus pensamentos e as pessoas que ama para ter o fôlego renovado e retornar ao bom espaço da blogosfera.
Uma gota me inunda com um oceano de possibilidades
para criar o novo início de muitos finais efêmeros de nós.

Tanto as dúvidas quanto as certezas foram fragmentos,
pedaços de passado , futuro e presente vividos de maneira inexorável e paralela.
Dias se tornaram noites, versos, rimas e poesias nos transformaram em sonetos
e do canto foram ao pranto.
O que restou de nós e quando penso enlouqueço, desejo que fiquem guardados nas gavetas esbranquiçadas da memória no livro de capítulos rasurados e reescrito diversas vezes, com a capa da cor do nada.

Que se faça dentro de mim a noite para que “eu cresça, amanheça” possa voar presa a liberdade e transformar tudo em nós.

Keli Wolinger

terça-feira, 13 de julho de 2010

Depois de mim


Preciso do pouco que é muito
para aqueles que não sentem e nada têm.

Quero o nada que é o antigo renovado,

a certeza da esperança envolvida em mistérios.

Tenho o inexato que é a confiança daquilo que é palpável,
mas distantes dos olhos que prevalece no imaginário.

Quero o benefício da dúvida

naquele descontentamento contente.
Tenho as cicatrizes das feridas curadas

como se elas nunca estivessem existido.

Quero a aparência da falha estampada no rosto
só para saber que ela foi necessária.
Keli Wolinger

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A veracidade da importância


Tudo começa com uma ideia, se realiza em um planejamento e se concretiza em uma ação.

Pelo caminho alguns tropeços que não impediram de continuar a jornada na realização de um objetivo.

Pois tudo o que é novo traz em si as surpresas daquilo que ainda não é conhecido. É a mistura de algo inédito com o antigo reformulado, a certeza da esperança escondido nas entrelinhas de mistério.

Inovar é preciso, renovar o já constituído é necessário. Os ‘pequenos grandes detalhes’ são imperceptíveis aos olhos daqueles que não acreditam e sutis no coração dos que idealizam.

Não construímos nada sozinhos;

Não chegamos a lugar algum sem termos direção;

Não temos caminhos sem trajetórias;

Não temos vitórias sem perdas;

Não temos ganhos sem lutas;

Não se ganha à guerra sem enfrentar a batalha;

E acima de tudo não conseguimos méritos sem reconhecimento a aqueles que contribuíram para que se alcançasse tal importância.

Keli Wolinger

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Lágrimas do tempo


Qual é o peso de uma lágrima? É o da palavra não dita. Do silêncio confortador.
Do abraço não que não veio e do beijo não dado. É de um grito preso na garganta, uma espera sem chegada. É o de se olhar no espelho e perceber algo incondicional dentro de si mesmo.
Lágrimas são como pérolas derramadas que deslizam, uma a uma, para nossas almas como se fosse cada qual distinta uma da outra.

Keli Wolinger

sábado, 26 de junho de 2010

É o Que tem para hoje...



Uma da mais belas declarações de amor que já ouvi....


IOLANDA
Chico Buarque


Esta canção nao é mais que mais uma canção
Quem dera fosse uma declaração de amor
Romântica, sem procurar a justa forma
Do que lhe vem de forma assim tão caudalosa
Te amo,
te amo,
eternamente te amo

Se me faltares, nem por isso eu morro
Se é pra morrer, quero morrer contigo
Minha solidão se sente acompanhada
Por isso às vezes sei que necessito
Teu colo,
teu colo,
eternamente teu colo

Quando te vi, eu bem que estava certo
De que me sentiria descoberto
A minha pele vais despindo aos poucos
Me abres o peito quando me acumulas
De amores,
de amores,
eternamente de amores

Se alguma vez me sinto derrotado
Eu abro mão do sol de cada dia
Rezando o credo que tu me ensinaste
Olho teu rosto e digo à ventania
Iolanda, Iolanda, eternamente
Iolanda

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pensamentos livres


Se te espero não me alcanço.Se te sigo não me acho.

Se te encontro eu me perco.Confusão essa que nem sei se eu te quero e te procuro.

Porque te querer significa abdicar de mim e nessa inconstância de nós eu quero “ser” e não “estar”.

Keli Wolinger

sábado, 19 de junho de 2010

In Memoriam

"Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?"

Mais um poeta que nos deixa. Mais um a fazer companhia para a Sociedade dos Poetas Mortos, que sua vida e obra permaneçam presente no coração de todos nós.

Continue a enaltecer as palavras onde quer que esteja José Saramago, mesmo quando você próprio não acreditava em uma vida não terrena.

(16/09/1922 - 18/06/2010)

Espaço Curvo e Finito

Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

Fisicamente, habitamos um espaço, mas sentimentalmente, somos habitados por uma memória.

José Saramago

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Reinicio


Deixei-me consumir pelo inexato.

Pequenos fragmentos de sanidade tomaram conta de mim e me levaram por caminhos que quero, mas nem sei.

De tanto me perder acabei por me encontrar dentro do cárcere, que não aprisionava o corpo e sim algemava minha emoção.

Alienada por uma liberdade sufocante de culpas do passado deixei de existir. E quando minhas palavras se tornaram meu silêncio restou-me apenas a arte de proteger meu coração, abraçar-me e recomeçar tudo de novo.

Keli Wolinger

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Desapego

Ainda haverá sorriso entre as lágrimas, quando meus questionamentos interiores forem respondidos.

Das intermináveis buscas por me conhecer lúcida das loucuras que me permito. De como é mais fácil gostar daquilo que não se conhece.

Dessa realidade inventada por um sonho sem fim que me diz que sou muito mais feliz quando estou em desapego, que é um tanto mais fácil encontrar-se quando está completamente perdida.

Keli Wolinger

terça-feira, 1 de junho de 2010

Super(ação)


Surpreenda-me ao demonstrar que o muito que há de mim ainda resta em você.

Deixe que as conversas sobre nossos atos falhos, assim como as suas roupas que ainda estão guardadas no velho armário caiam em desuso.

Não pinte com a cor do nada o céu que um dia já foi colorido com o nosso amor. Colha hoje os raios de sol que iluminaram o mar que beijavam a areia onde construímos nossos sonhos.

Não abra a porta para um novo horizonte se ainda deseja nos conjugar no passado. Não faça falsas promessas, não renove velhas pretensões.

Faça-me feliz sem motivos, sem juramentos ou determinações.

Apenas surpreenda-me, pois ainda somos iguais.

Keli Wolinger

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Juntos podemos muito Mais


Mãos ao leite que a vaca está solta! E a única coisa que sabemos é que ela está querendo doar Muuuito Leite e nós também.

Conheça MUUU! Uma Campanha de arrecadação de leite promovida pelos acadêmicos do 5º período de Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas) da Universidade do Vale do Itajaí – Univali, com o intuito de ajudar entidades carentes da região do Vale do Itajaí Santa Catarina.

Se cada um fizer a sua parte podemos nos surpreender com o resultado.

Participe da campanha e doe você também!

Não fique fora dessa, o período de doação é de 29/05/10 a 04/07/10.

As doações podem ser feitas por depósito bancário em uma conta em nome do projeto disposta no site da campanha.

Acesse: WWW.muuuitoleite.com.br e saiba mais


Twitter: @MuuuitoLeite


Obrigada pessoal! E bom final de semana.

Keli Wolinger

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Inevitável insensatez


Serei a mesma e ainda estarei aqui quando você voltar. Com minha serenidade insensata diante da força de suas escolhas. Com menos motivos para me desesperar, pois nossos erros nos tornaram inevitáveis ao acaso. Mesmo que eu não mais permaneça fisicamente em sua vida, ficarei com toda minha plenitude em seu coração e habitando seus pensamentos. E porque um dia acreditamos em nosso amor, e por acreditar ele existiu.

Keli Wolinger

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Mais de mim

Faço-me incompleta, pois esta parte que me falta é que faz toda a diferença.

Keli Wolinger.


Vamos lá.... Chuvas de selos adooro o/recebi do meu super hiper mega amigo arretado Brunno do blog To Ligado e repasso. Bom findi a todos grande beijo no coração.

As Regras do Selo:

1)Colocar o selinho e regras no blog!
2)Responder com muita sinceridade, apenas com imagens (não vale responder por escrito);
3)Indicar as pessoas para responder e colocar seus links no final do post;
4)Deixar um comentários para a pessoa, avisando que ela foi indicada para a brincadeira;
5)Dizer as três lembranças mais fofas da infância.


1.Quem sou eu?








2 - O que me faz sorrir?









3- O que me faz chorar:








4 - A minha cor:












5) A melhor lembrança:









6)A música é :











7) O filme:













8) Pecado (no bom sentindo):








9)O cheiro:











10) Esporte:












11)Hobby:










12)O livro:













13)Sonho:










As 3 lembranças:















O selo “Drunk” de originalidade é dedicado a todo blogueiro que não se preocupa com limites óbvios impostos pela pressão de seguir alguma “regra” dentro da blogosfera. Foi criado com fins de demonstrar respeito a todos aqueles que enriquecem e agregam a web o individualismo artístico de seu trabalho."
E os indicados são... e outros muitos...que irei mandando aos poucos :D:

Diogo Nínguem

Origem Thaza

Julio Castellain

Alan Raspante

Palavrinhas - Marcelo

Mar Íntimo- Priscila Rode


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Auto Retrato

Mesmo que haja noite dentro de mim farei com que ela seja ao menos estrelada. Que a sua ausência não seja maior que minha solidão, pois ela é minha companheira e faz sentir-me plena. De incertezas e incompreensões se compõem versos do livro de meus dias. Faço-me entendida daquilo que eu não sei e sou. Sou honesta ao admitir que cometo as falhas necessárias que podem me fazer feliz.


Keli Wolinger

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Como Prometido

Demorou... mas o Acróstico prometido ao Marcelo tá postado :D

Perdoe-me pelo atraso é que estou na correria. Espero que goste.

Para todos os leitores grande abraço e um ótimo final de semana.

Mais do que

Apenas gestos e palavras

Realmente quero que

Conheça- me por inteiro

Então saberás que a

Liberdade de nossos sentimentos é única e que

Outros podem desconhecer essa forma de amar

Keli wolinger

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Quando existe perda



Vá! E, por favor, não volte.

Não trilhe o caminho que seus pés deixaram, porque a chuva apagará seus passos.

Só sou bem resolvida quando estou sem você, ambos sabemos disso precisamos da falta para entender o inteiro.

Vivemos a sombra de nossos erros, contemplamos a beleza de nossas imperfeições somos um, mas precisamos da falta de nós mesmos.

Somos como ponte e rio nos completamos, porém um de nós pára seu curso em um lugar enquanto o outro flui.

As árvores perdem suas folhas no outono, nem por isso deixam de florescer na primavera.

Deixemo-nos ir então.

Não há amor sem perdas e somente a perda nos faz encontrar o amor.

Keli Wolinger

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Desenho

Tem dias em que me sinto assim...

As palavras de King traduzem a ausência que sentimos muitas vezes.

Bom início de semana a todos.

"Como fazer um desenho
Comece com uma superfície em branco(...) acredito que deva ser branca. Chamamos de branco porque precisamos de uma palavra, porém o verdadeiro nome é nada. O preto é a ausência de luz, já o branco é a ausência de memória, a cor da não lembrança. Como nos lembrar de lembrar? Eis uma pergunta que venho fazendo a mim mesmo (...) geralmente nas primeiras horas da madrugada, com os olhos erguidos voltados para a ausência de luz, recordando amigos ausentes. Nessas horas, as vezes, eu penso no horizonte. É preciso delimitá-lo. Marcar o branco. Um ato bastante simples você diria. No entanto, qualquer ato que recria o mundo é heróico. Ou pelo menos foi nisso que passei a acreditar(...)Desenhos são mágicos, como você bem sabe."
Stephen King – Livro Duma Key

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fragmentos


Você está tão longe que eu não posso te tocar, mas posso te ver em meus pensamentos.

Esse livre-arbítrio que delimitamos para nós um amor feito de liberdade ter todos os dias outros caminhos a seguir, outras opções e mesmo assim sempre a livre escolha.

Você é essa paz que me atormenta, a luz sem sombra, o verso sem poesia e a companhia que me traz solidão.

Somos o escuro da noite, os erros de nossas decisões o princípio do fim.

Estamos em todos os lugares, passamos por todas as pessoas e ainda assim somos nós.

Mesmo que você me faça forte, ao mesmo tempo és aquela parte de mim que me faz infeliz.

Keli Wolinger

terça-feira, 13 de abril de 2010

TEMPO...

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Fernando Pessoa



Compro tempo e pago bem.

Esse elemento ao qual eu procuro é algo escasso, intocável, não conheço quem o tenha de sobra para ao menos compartilhar de seus benefícios.

Todos precisam de tempo para pensar, para ficar sozinhos, para amar, para sofrer e simplesmente dar tempo ao tempo para que tudo se resolva.

Mas o que é o tempo?

É o “período” no qual conjugamos os verbos das nossas vidas? Nosso estado de espírito, como o dia amanheceu?

É o momento entre passado, presente e futuro?

É aquele instante inesquecível ao qual passamos ao lado de pessoas especiais? Minutos incansáveis de trânsito lento? Horas de estudo para prova? Descanso enquanto dormimos?

O que realmente é o tempo?

Geralmente ele é algo que está entre aquele lugar em que não estamos e aquilo que não temos.

O tempo é aquilo que nos deixa mais fortes e muitas vezes mais vulneráveis.

O remédio ideal que cura as feridas das derrotas temporárias, alimenta lembranças e fortalece sentimentos.

Mesmo assim me pergunto:” quanto tempo têm o tempo? Quanto tempo o tempo têm?”

As respostas para minhas perguntas só o tempo poderá dizer.

Keli Wolinger

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Algo me diz

Se não for para me fazer voar, não tire meus pés do chão.

Se não for para me guardar em seu coração me entregue as chaves, ou me liberte desta prisão.

Se não for para compartilharmos nosso tempo, então não me faça gastá-lo ele é um bem precioso.

Se for me fazer perder o juízo, que ao menos eu não tenha prejuízo.

Se não for capaz de entender o que sinto, não me questione.

Se me procurar sem a intenção de me amar então, por favor, me esqueça.

Por mais sombria que seja a noite ela é somente uma...

Keli Wolinger

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sem Palavras

Faça com que sua ausência dure o tempo necessário para que eu não me acostume com a sua falta.

Em cada pensamento que me perco, lágrimas me consomem a certeza de que não estou só me faz companhia.

Para um novo recomeço vejo noites sobre minhas indecisões. Você se apaixonou pelos meus erros e perdeu as chaves que nos libertariam.

Somos aquilo que não se pode evitar, não temos nada a fazer e não podemos escolher.

Hoje os ventos sopram o passado, o mar inunda minha alma.

Tenho certeza sobre nós, mas quando você me disse te amo eu não soube o que dizer.

Keli Wolinger

* Brunno essa é em sua homenagem, depois do seu apelo :D espero que goste valeu amigo!!

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