sábado, 9 de abril de 2011

Nostalgia de meias verdades




Sinto uma saudade de mim. Não sei dizer por onde anda aquela jovem cheia de sonhos no coração, pensamentos livres e ideologia nas palavras. Essa mesmo, que vestia o jeans mais surrado, os fones no ouvido e trazia no peito os solos de guitarra e a batida da bateria - para ser completa. Hoje estou mais preocupada em ser, mãe em alguns momentos (acreditem meu noivo não cresceu) amada, irmã, amiga, ouvinte, confidente, jornalista, estudante e nas horas vagas lembrar que sou mulher. Apesar de muitas vezes me esquecer. Tento sinceramente tento, juro, compreender porque devemos dar um nome para cada sorriso, uma desculpa para jantares que não queremos ir e pessoas que não desejamos falar. É irônico como a cada despertar das horas percorro atrás do tempo com a sensação de que ele corre cada vez mais depressa. Descobri cabelos brancos. Não que isso me preocupe, idade chega para todos. De fato o que me assusta é que não havia me percebido. Todos os dias o espelho me olha, mas ando sem encará-lo ultimamente. Percebi que as pessoas estão morrendo lentamente e isso me causou uma angústia profunda, porque de certa forma também fui contagiada. É difícil quem acha graça de si mesmo, lê boas histórias, assiste bons filmes e se emociona com o pôr do sol. Amor não mata, ele foi feito para ser bebido até a última gota e fica melhor quando se acrescenta uma pitada de saudade. Essa ressaca emocional te faz saber que ainda está vivo.
 “Tudo o que eu fui prossegue em mim”, mesmo que distante está aqui. Quem não gostar de como estou faça as malas e bata a porta.

Keli Wolinger

2 comentários:

  1. Essa historia de TER QUE DAR NOMES as coisas, é uma das coisas que mais nos fazem sofrer. por que não apenas vivemos e sentimos cada momento?

    Abraços... boa semana

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  2. Porque não nos é permitido escolha de regras impostas.

    Bjos

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