quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Quem sabe

Deixo a tristeza na curva da desilusão para trazer no olhar esperança. Vislumbrar um futuro de versos soltos conjugados no tempo da certeza. Que as palavras sejam a ponte entre lábios que buscam se encontrar. De anseios e verdades os corações se alimentem, amores e vontades sejam feitos os dias e de realizações e compreensões os momentos. Senhor tempo entenda os amantes e poetas, pois das loucuras descobrem a lucidez.

Um bom ano para todos!

Retomo as postagens com frequência (promessa de ano novo) em 2012!

Keli Wolinger


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Eu sem amor não sou eu




Permita-me olhar em seus olhos e não silenciar o que se passa dentro do peito. Deixe-me ser mais do que seus olhos podem ver, seus dedos tocar e sua pele sentir. Quero ser o benefício da dúvida que atormenta, porém acalma. Surpreenda-me com o acalento da alma que transcende versos, silencia palavras, arrepia a pele e reverbera emoções. Deixo-te meias verdades para que me dê sua mão e metade de um inteiro. Permita-me ser eu mesmo diante de ti caleidoscópica, atemporal, viva. Cansei de ser presença quero me fazer ausência para ser sentida, lembrada, desejada. Deixo-me levar pelo medo, não aquele que impede, mas o que instiga, só assim saberei as reticências. Te beijo com riso nos lábios, esperança no coração e liberdade na alma . Apenas feche os olhos e deixe o vento nos levar.

Keli Wolinger

Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. José Saramago

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Refiro-me a ti


"Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo." - José Saramago
Paixões da minha vida Kadu e Mari
Que de todo amor que trago no peito
Seja feito de versos em mim.
Para num silêncio, enfim encontrar e deixar a vida acontecer.
Só para dizer depois que foi pra você que guardei o melhor de mim.
Foi no brilho dos seus olhos que vi a primeira estrela brilhar e
o sol risonho venho me contar que a saudade tem um sabor doce quanto estou a te esperar.
O aconchego do abraço fica melhor nos seus braços e a sua mágica inocência transforma o mundo num lugar mais bonito.
Infinito de sonhos que faz um colorido novo a cada amanhecer

Keli Wolinger

Perdoem minha ausência que se fez prolongada, mas o tempo se estendeu além do espaço entre meus dedos e vontades. Uma metamorfose inunda meus dias, noite, horas e faz transbordar mudanças de passos ao traçar rotas e destinos. Se todos bem sabem, minha singularidade se faz presente em tudo que toco, vejo e faço. Que assim seja do anseio que virou caminho e desejos traçaram-se verdades do pó ao ouro. Em meus dias se apresentaram surpresas profissionais, acadêmicas, pessoais, uma evolução do ciclo contínuo da vida . E o misticismo do meu ser em seu imaginário paralelo escolheu o dia de hoje para o retorno. Uma data especial em todos os seus aspectos oníricos e experimentais. Dedico a você minha doce e ao mesmo tempo valente Mariana, sobrinha amada que hoje completa mais um aniversário. Soberana, esse é o significado do seu nome, e assim, deve ser seus dias repletos de sonhos realizados. Amo-te minha linda!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

“Todo amor que houver nessa vida”.....


 
Deixe repousar suas mãos em meus cabelos e meus lábios nos seus. Eu te tenho um querer bem que não cabe mais em mim, com os olhos marcados pelo desejo que insiste em habitar dentro do peito. Uma necessidade ansiosa de te ver e uma saudade tardia que nunca me deixa. Sapateando em palavras rodopio com o ritmo valsado das horas vazias da sua presença. Inquieta e traiçoeira é essa vontade de querer-te sempre mais perto, juntos quem sabe. Ziguezagueando em verborragias sem tempos conjugados pluralizo você e só. Nada mais importa apenas esse silêncio gritante que cabe em ti. Porque dentro de mim tudo transborda.

Keli Wolinger

“E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum veneno anti-monotonia” Cazuza/Frejat

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A nova namorada do meu melhor amigo II - Nada mais importa


Depois de uma pausa, o ar faltou,  a saudade apertou o peito e não pude conter a saudade de todos.Estou correndo contra o tempo, mas nada que me faça deixar este espaço. Para marcar a volta retomo uma ideia que meu amigo Diogo Campos e eu, há muito estávamos comentando. Um texto despretensioso sobre o sentimento que abala os corações: o amor. Porém em uma visão um pouco distinta da que estamos acostumados (E sim, Closer é um dos meus filmes preferidos no qual esse texto pincelou algumas singularidades) . É uma continuação de A nova namorada do meu melhor amigo. Espero que gostem e boa leitura!





- Por que você não consegue suportar a verdade?

- Como? Não entendi garota?! Estou te mostrando a prova cabal de que minha pseudo namorada está me traindo e é isto que você me diz!
Mais uma vez a sobrancelha esquerda dela arqueou-se, ele sabia que não era bom sinal, sempre significou reprovação.

- Você não vai começar a falar que é maduro agora vai? Você é o filho da mãe mais egocêntrico, autocentrado da face da terra. Engraçado ouvir isso de você, pois quando foi mesmo que você levou aquela garota para cama sem ao menos perguntar o nome?! Hum, deixe-me ver foi quinta né, ou seja, para ser mais precisa há menos de 24 horas. Que incrível! Gesticulou ela abanando as mãos em sinal de desdém.

- Você é irritante sabia? Garota falo sério, você tem esse dom de chatear as pessoas. Não importa o que eu fiz estamos falando dela ok! Foco. Vamo junto.  Apenas olhe a porcaria da mensagem, caralho velho! Será que é pedir demais?  Engula o feminismo e veja você mesma a droga que está na tela, por favor. Ele indicou apontando para o objeto que estava em suas mãos.

- Você é um canalha estúpido.  Vociferou ela.

- Qual é eu disse, por favor, falou enquanto passava para amiga o notbook em suas mãos.
Ela exasperou pesadamente no mesmo instante em que seus olhos percorriam a tela iluminada à sua frente.

- Você não é sempre um cretino, só às vezes. E está sempre certo, mas vamos relembrar só por alguns momentos como toda essa situação começou. Ela estava namorando um boçal acéfalo, depois de uma das inúmeras brigas entre eles ela enche a cara e ualá, nós a encontramos e literalmente ela cai em seus braços. Dessa situação direto para sua cama não demorou lá muito tempo, então um belo dia vocês decidem brincar de namorados, porém ambos continuaram uma vida paralela e agora você me vem com essa de olha isto? Que parte da história eu perdi? Perguntou a amiga com sarcasmo.

-Tudo bem, você quase me convenceu. E você sabe que meu orgulho não permite admitir, mas pode ser que você tenha um fundo de razão em suas palavras, acontece que antes eu era o outro e agora.... Suas palavras foram interrompidas muito antes que ele pudesse concluir seu pensamento sobre o fato.

- Agora a situação se inverteu e você não gostou nem um pouco do que sentiu. Acontece meu caro que você sempre faz o que quer, não presta atenção no que ela diz e talvez isso seja o que a incomoda. O fato de você não escutá-la. E quando faz é só para apontar os erros dela.  Em tom irônico a amiga retrucou, enquanto mantinha os braços cruzados no peito e batia o pé direito no chão em sinal de impaciência. Sem pestanejar continuou a enxurrada de palavras:
- “A minha opinião é a minha verdade”- lembra? Se não me engano essa frase é sua, entretanto, agora o gosto amargo que você está tentando engolir não é nem um pouco saboroso, ou é hein? Questionou ela.
Ele a encarou por acima das lentes do óculos e atirou o not sobre a cama, enquanto apertava as têmporas.

- Não! A resposta foi intrínseca.

- E lá vamos nós “ao infinito e além”...  Você já me disse que é errado tratá-la como se fosse mais fraca que você, pois então como estamos? Se bem te conheço imagino qual será seu próximo passo, todavia, estarei aqui depois de tudo. Só um pedido, evite me ligar pela madrugada. Ela girou os calcanhares e o deixou a sós com seus pensamentos. Por um tempo ele preferiu o silêncio.

Mais uma vez estava sozinho. Abriu a porta do seu quarto o cheiro do perfume dela ainda estava em suas roupas, um sorriso irônico nasceu em seus lábios “- você tem razão garota, sabe o que irei fazer”. Seguiu até estante abriu uma garrafa de vodca, serviu-se, fez um brinde imaginário -“você sabe né, nunca tomo o primeiro gole sem brindar” e virou de uma só vez o conteúdo. Precisava de música para relaxar tinha o restante do líquido ardente para entornar garganta adentro. Ligou o desktop escolheu em sua biblioteca a pasta apropriada para o momento e não pode deixar de conter o riso, o som instantaneamente tomou conta do apartamento.

As horas se passavam sem ele perceber, a madrugada engolia o passar do tempo. Como que por instinto abriu os olhos. Reconheceria mesmo a distância os passos que vinham das escadas a campainha tocou, ele não poderia deixar de se sentir vitorioso.

Os solos de guitarra anunciavam algo em uma melodia e arrebatadora:

“So close no matter how far.Couldn't be much more from the heart forever trusting who we are and nothing else matters. Never opened myself this way, life is ours, we live it our way all these words I don't just say, and nothing else matters…”

Ao abrir a porta só pode sentir o passar de um vulto e o leve toque dos cabelos claros roçar em seu braço.

- Você está ouvindo esta porcaria outra vez? A garota pronuncia indignada.

- Que eu saiba o apartamento é meu, a biblioteca musical é minha e eu tenho o direito de ouvir o que eu bem entender e gostar. Pronunciou ele em tom levemente provocador.

- Também tanto faz. Apenas me deixe falar, por favor, eu preciso. Sua voz saiu com um sussurro de clamor.

Antes de qualquer coisa ele precipitou-se e disse:

- Eu te amo! Sua voz saiu em um tom mais alto do que pode prever.

- O quê? Como? Pode repetir... eu não ouvi. Ela gesticulou com a cabeça em tom de incredulidade.

Ele apenas movimentou a cabeça para o lado deixando que ela continuasse a falar.

- Você precisa de mim, e pode até me amar, mas não se importa comigo. Quero que você se importe mais do que apenas com aquilo que quer e pensa. Eu mereço isso, alguém que realmente se importe comigo. Porque isso é tudo que importa. Ela cuspia as palavras com tanta ferocidade que o fez rir.

- Você bebeu? Questionou ele.

- E que importância isso tem? Contestou ela.

- Depende do grau e relatividade que você impõe a isso. E porque nunca a ouvi falar a palavra importância tão repetidas vezes como agora, ainda mais vindo de você. Rebateu ele colocando as mãos na cintura em sinal de inquietação.

- É eu bebi. Talvez mais ou a mesma quantia que você.  Falou apontado com o canto dos olhos para garrafa vazia no chão da sala.

- Mais isso importa? O fato de eu estar por assim dizer com o álcool em grande quantidade no meu cérebro? Protestou ela.

- Eu não sei, deveria? Retorquiu ele.

 - Sendo assim eu também posso falar que te amo. Quer dizer eu não estava pensando em falar, ou melhor, estava, mas sem pensar só em mim de quem eu sou de verdade ou normalmente, contudo em quem somos juntos.  Ela concluiu a frase quase como em um monólogo.

- Eu te amo! E isso machuca. Insistiu ele olhando fixamente nos olhos castanhos marejados da garota diante dele.

- E por que esse amor não é o bastante para estarmos juntos? Indagou ela procurando manter os olhos fixos nos dele.

Ele apenas gesticulou negativamente com a cabeça de forma a demonstrar incompreensão.

- “Onde está esse amor? Eu não o vejo, eu te ouço, escuto umas palavras...” - sussurrou ela dando as costas para ele correndo em direção à porta.

- “Mas não posso fazer nada com suas palavras vazias. Eu te amo porque não precisa de mim.” 

Ambos repetiram a mesma frase, enquanto se distanciavam sabiam do que estavam falando já haviam visto esse mesmo filme.

Keli Wolinger 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Fora do convencional


"Sempre existe a opção entre resistir e se entregar. Não sei quando, mas você teve este momento." (Closer – Perto Demais)



Tudo que me importa é estar completa.  O que importa é o coração aprender a conjugar o verbo amar - no plural de sentimentos imperativos. O que importa é o cheiro da pele, o gosto do beijo, o calor da cama, o som do riso, o encontro do abraço. O que importa é a resposta da pele em arrepios eternos. O que importa é a presença, mesmo que inconstante. Importa os lábios molhados de sonhos, os olhos marejados do tempo, as mãos calejadas de esperança e as promessas eternas.  O que importa é o que fica do lado de dentro e te revira pelo avesso.  O que realmente importa é que depois de você, ah depois! Não há mais nada. Entretanto, importa verdadeiramente o sentido. Vem cá, me dá tua mão, não tenha medo...

Keli Wolinger

sábado, 16 de abril de 2011

Simples assim


Hoje é dia de Martha...


Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal.
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Não me conte seus segredos ... Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

É dela: Martha Medeiros

sábado, 9 de abril de 2011

Nostalgia de meias verdades




Sinto uma saudade de mim. Não sei dizer por onde anda aquela jovem cheia de sonhos no coração, pensamentos livres e ideologia nas palavras. Essa mesmo, que vestia o jeans mais surrado, os fones no ouvido e trazia no peito os solos de guitarra e a batida da bateria - para ser completa. Hoje estou mais preocupada em ser amada, irmã, amiga, ouvinte, confidente, jornalista, estudante e nas horas vagas lembrar que sou mulher. Apesar de muitas vezes me esquecer. Tento sinceramente tento, juro, compreender porque devemos dar um nome para cada sorriso, uma desculpa para jantares que não queremos ir e pessoas que não desejamos falar. É irônico como a cada despertar das horas percorro atrás do tempo com a sensação de que ele corre cada vez mais depressa. Descobri cabelos brancos. Não que isso me preocupe, idade chega para todos. De fato o que me assusta é que não havia me percebido. Todos os dias o espelho me olha, mas ando sem encará-lo ultimamente. Percebi que as pessoas estão morrendo lentamente e isso me causou uma angústia profunda, porque de certa forma também fui contagiada. É difícil quem acha graça de si mesmo, lê boas histórias e se emociona com o pôr do sol. Amor não mata, ele foi feito para ser bebido até a última gota e fica melhor quando se acrescenta uma pitada de saudade. Essa ressaca emocional te faz saber que ainda está vivo.
 “Tudo o que eu fui prossegue em mim”, mesmo que distante está aqui. Quem não gostar de como estou faça as malas e bata a porta.

Keli Wolinger

quinta-feira, 31 de março de 2011

Só hoje ... me ame ou deixe-me



Hoje acordei assim, meio borboleta
que resolveu bater assas e voar para
lugar nenhum. Letárgica sem pensar em nada.
Porque minhas perguntas são melhores que
minhas dúvidas.
Sou assim mesmo, cheia de sorriso nos olhos,
sonhos nos lábios e coração nas mãos.
Entediou-me apenas olhar a rua sem
decidir o caminho, invadir tristezas com
as pontas dos pés enquanto embrulho amores de celofane.
Hoje eu gosto de gente que chora,
ri, desabafa, sente à flor da pele e
principalmente espalha passos de esperança por onde passa.
Não me julgue apenas me abrace,
com a certeza de que hoje brindaremos o viver intensamente.
Beberemos toda a garrafa gota a gota
relendo os capítulos prosaicos do livro de nós dois.
Hoje estou assim nessa necessidade de silenciar a saudade,
por favor, não a faça gritar.

Keli Wolinger

A saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.” Martha Medeiros

sábado, 26 de março de 2011

De tudo que meus olhos não falam, gritam...



Minha vida se resume no agora. No tiquetaquear dos sonhos de um coração em ritmo acelerado. No verão que trago dentro do peito e nos lábios molhados de momentos. Porque tudo tem razão, motivos, circunstâncias, exatidão. No riso primaveril de singularidades do amor verbalizado no presente constante. Não quero amar só no amanhã, quero ontem, hoje e por toda a vida. Porque é assim que me sinto AGORA, em um silêncio gritante de plurais. Adjetivada de emoções e vestida de saudade. Tudo em mim se resume apenas em um coração preso no hiato constante de sentimentos conjugado imperativamente em primeira pessoa. De amor até os ossos eu só sei sentir.
“Ando de um lado para outro, dentro de mim” Clarice Lispector.
Keli Wolinger

sábado, 19 de março de 2011

Intímo


Aprendi a enxergar a beleza que há em mim. De tudo que conquistei nos sonhos, lutas e lágrimas. Despida de sentimentos e com a nudez da alma exposta. Trouxe esperança nos lábios, mesmo com incertezas no coração. Tudo no meu tempo. No breve instante do “seja eterno enquanto dure”.  Estendi minhas fantasias no varal, aguardei o sol secar as dores enquanto o vento beijava delicadamente as cicatrizes. Plantei vontades e colhi certezas. Quando o riso se fez ausente sobrou as promessas, as pegadas na areia o cheiro da pele e o calor da cama. Despertei. Era tempo de recomeçar das falhas cometidas, todas necessárias, desistir foi meu melhor ato de coragem.

Keli Wolinger

sábado, 12 de março de 2011

A nova namorada do meu melhor amigo


Queridos leitores como vocês já bem sabe, my brother de coração  Diogo Campos e eu, nos aventuramos a escrever alguns textos. E a leitura a seguir faz parte de um olhar feminino brincadeiras à parte,  sobre uma série de textos que ele começou a postar no seu espaço da blogosfera. Bem espero que curtam a parceria e bom final de semana para todos."Buenas e me espalho".
Para entender as histórias: Minha Nova Namorada: Parte II



O vento sacudia furiosamente os galhos das árvores fazendo os toldos do bar assoviar em tom assustador a antiga canção do tempo. Alheios a isso os dois velhos amigos, brindavam suas derrotas interior com uma cerveja barata e batatas fritas.
- O que precisamente você quis dizer ontem quando falou “só tu mesmo”? Inquiriu ele dando um gole demorado na cerveja pela metade do copo.
- Hum ... resmungou ela, enquanto arqueava a sobrancelha esquerda.
- Seus comentários bestiais, somente você com essa sua mania de perfeição sutil, para fantasiar pensamentos tão mesquinhos.
Ele a observou com um sorriso sarcástico nos lábios – continue, por favor.
- Você a chama de infantil, pelo passado digamos “sórdido” e as atitudes que tanto te irritam, porém você já percebeu quem, realmente se importa com tudo isso? O que quero dizer é quando se conheceram tudo parecia improvável. Tudo rápido e intenso demais como ambos são. Os olhos castanhos frios da menina te petrificam e a mente dela um enigma para você, e isso te faz querer se envolver cada vez mais.
A amiga fixou os olhos nele de forma que suas palavras formaram a típica ruga na testa do jovem quando ele costumava pensar - pode ser.
- Te conheço o suficiente para saber que quando ela te disse eu te amo no primeiro encontro, foi o fato de você realmente se importar e também sentir a mesma coisa que te assustou. Fatídico, não irônico, pois o cara que detém todo o controle da situação não estava no comando. É isso que te faz querer ter essa garota. O fato de que ela pode ficar no controle absoluto o faz querer mantê-la longe. Você se gaba dizendo que jamais a levaria a sério uma garota tão autossuficiente e autoritária, mas já percebeu que é exatamente este o tipo de garota que mais te atrai?
- Anyway garota... não comece com está conversa de que eu tenho medo dela porque.....
- Hei! Não disse que tem medo dela, o que ocorre é que você tem pânico de você mesmo do que pode ser tornar ao lado dela. O sexo entre vocês é maravilhoso, mas é o fato de ela odiar Metallica, e dizer que é uma porcaria é que te faz querer dominá-la. Te consome a ideia de poder  mudá-la, a remodelar da sua maneira na triste e patética tentativa do discurso de homem perfeito e sistemático.
Ele sorriu enquanto balançava a cabeça negativamente e enfiava mais uma batata rapidamente na boca. Ela encheu os copos quase vazios de cerveja tomou até quase esvaziá-lo e continuou o discurso.
- Não finja que não se importa quando na verdade está totalmente entregue. Lembra – se do primeiro encontro? Você agindo como um adolescente se preparando para o baile da escola, lavou o carro, cortou os cabelos fez a barba e pasme colocou seu melhor jeans. Irônico se não fosse trágico. E o que ocorreu? !Vocês dançaram beberam e ela acabou nos braços de outro. No fim da noite você a levou para casa, furioso, mas não deixaria esse gostinho de vitória para o outro cara. E quando ela quis beijá-lo você recuou. De que adiantou me diz? No outro dia estava na cama dela consumido, envolto no perfume dos cabelos claros dela sobre seu peito.
- Hahaha... está me dizendo que perco o controle para uma ninfeta? Que ela me domina sem eu perceber? Sempre soube que você não batia muito bem, mas não que havia ficado completamente louca. Ironizou ele enquanto fingia tomar do copo já vazio.
- Meu caro amigo a menina da qual falamos eu praticamente vi crescer. Talvez devido a isso tenha tanta estima por ela. Não somos tão velhos e ela não é uma garotinha, mimada eu diria, porém é uma mulher travestida de anjo com um poder devastador do qual você esta provando as consequências.  Você diz que não a ama, depois se contradiz, entretanto, quem deu o primeiro passo?  Foi você. Quando a presenteou com algo que ela adorou. Quando admitiu também amá-la após a primeira transa e agora por estar desnorteado ao admitir que estão namorando. Não se faça de durão cobrando dela por beijar o outro cara, quando você faz o mesmo dormindo com outras garotas procurando por aquele rosto e a maneira que ela te enlouquece.
Ele abaixou a cabeça e encarou a mesa puída de madeira enquanto tamborilava os dedos no copo e exasperou longamente.
- Ok. Você falou, porém não me disse ao certo o que sua frase significa. Garota eu realmente não entendi.
- Não se faça de sonso. Quando entro em seu apartamento e me deparo com ela de pijamas de motivos infantis, by Lolita, flutuando pela sua sala ainda de cabelos desengrenhados me recebendo com um “oi que bom vê-la”. Tive a certeza que você realmente não vai negar o que sente. O pior, me diz que ela está na roupa mais broxante do mundo, quando seus olhos e pensamentos falam o contrário. Por favor, já te disse não pense tão alto quando eu estiver por perto. E sim, você é o canalha da história, não estou sendo feminista apenas dizendo a verdade.
Os dois amigos sorriram dos acontecimentos discutidos.
 -Então é o que me diz. É o que temos para hoje, pois bem eu não concordo.
- Sabia que você me diria isso, e me antecipo ao falar não seja covarde e faça o que está morrendo de vontade tenha atitude e tome você o controle da situação. Já estou cansada de ajuda-lo a apagar as marcas deixadas pelas mulheres que você tenta evitar.
Ela levantou-se fez um último brinde e esvaziou o copo. Deu de ombros e acenou já de costas para o amigo com um sorriso nos lábios. Ele cruzou os braços atrás da cabeça sobre a nuca e riu internamente. Detestava admitir, mas ela tinha razão. Fez então o que lhe restava, tirou o telefone do bolso e sua memória visual lhe fez digitar os números que sabia só de olhar no teclado. Aguardou ansiosamente o terceiro toque.
Keli Wolinger

sexta-feira, 4 de março de 2011

O falecimento do amor



Mudei. Há muito em mim que não consigo compartilhar, desde o excesso de amor até a companhia da solidão.  A saudade no superlativo. Eu só sei sentir. Não sei bem ainda definir o que nasce dentro do peito, corrói as entranhas e aflora. Hoje eu te amo, mas amanhã não. Sem explicações, tudo bem? Eu igualmente não as tenho. Não se pode viver por muito tempo uma inverdade, algo que não lhe pertence de fato.  Ser insensato é inevitável quando se ama, porém a lucidez se faz necessária, assim como o amor o excesso dela também mata.

Keli Wolinger

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Modo de usar: Esquecimento



Eu o tive. E porque tive acreditei.
Mas onde eu estava com a cabeça
quando deixei me levar pelo breve
passado do presente, que num instante
era agora e simplesmente virou depois.
E  o tempo que se fez ausência,
demorada estendida por entre os dedos.
Como pude me deixar levar para longe
da segurança do meu eu? Em quê eu estava pensando?
Já sei ! Em tudo que vivi e confiei.
Hoje aprendi a conjugar lábios distantes,
adjetivar abraços e submeter saudades.
Porém algo aqui, bem aqui dentro ainda me
diz que é possível desenterrar a esperança
que há muito tempo sepultou-se em sua insignificância.
Isso não foi feito para durar.
Acredite esquecerei.
Eu sei para onde vou e só escuto meu silêncio.

Keli Wolinger

E que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca” é dele Fernando Pessoa.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Férias de Mim


“Mas há uma verdade única: ninguém tem dúvida sobre si mesmo.” - Martha Medeiros



Sou infiel no que diz respeito ao que as outras pessoas pensam sobre mim. Porque como já disse um grande sábio “o que os outros pensam, é problema deles”. Não sei quem inventou essa conversa de que precisamos ser a gente mesmo toda hora, todo dia e todo tempo, isso é bobagem.
 Ser você mesmo às vezes irrita até a si próprio. O que de fato importa é ser o que você lembra, o que te faz queimar dentro do peito, o abraço apertado, o sorriso sincero, o amor e tudo mais que possa te causar de sobrevoos a calafrios. 
Aquilo que não te provoca qualquer emoção não pode ser julgado como existência. Você é o amor em estado bruto, sem a adição de um mais um, igual a dois, isso é cálculo matemático exatidão.
Um associativismo de duas pessoas e o amor é o contrário disso, inexato, palpável, alargado e muitas vezes exagerado. Você não vem com manual de instrução, pois é eu também não. Alguma vez eu tive alguma inscrição como: vide bula ou eu modo de usar?
Sou acometida da síndrome das “mulheres que amam de menos”, menos tristeza, dor e egoísmo. Perdoe-me estávamos falando de falta de amor e eu aqui com essa conversa de que me amo demais, não que eu seja mesquinha é que chamo isso de autopreservação.
Tenho consciência que algo dentro de mim fala, grita e a verdade me salta aos olhos. Algumas verdades a gente conta, mas outras se tornam nossos segredos mais íntimos.

Keli Wolinger


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Confissões do amor



Por um tempo “você foi minha vida, e eu fui apenas, um capítulo da sua”, porém....
Eu quero estar viva, livre, intensa, insensata para sentir rente à pele até onde posso ir para te encontrar. Se o meu fracasso foi a tentativa falha em fazer a coisa certa, perdoe-me ,  tudo em mim é demasia até mesmo o amor, ou a falta dele.  Da nossa história o que ficou foram as páginas rasuradas, borradas pelas inúmeras lágrimas que mancharam o papel, o futuro que não veio e o presente conjugado no passado. Não foi amor, foi inconstância. Foram sonhos construídos de grãos de areia, noites de dois corpos contando estrelas. Foi paixão, promessas estendidas na varanda do tempo. E depois? Depois de você não veio mais nada....Guardam-se em mim apenas lembranças, acúmulo de saudades e despedidas de ausências. Perdoe-me, mas sou assim cheia de vírgulas complexa de hiatos. Saiba apenas que te amei, talvez não por inteiro, somente a parte que me convinha.  Isso bastou para escrever nossa literatura na cartografia do coração.

Keli Wolinger
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