terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Levante-se!


Adooro!!
Ganhei estes selos da super fofa Liciane obrigada pelo carinho :D
Priscila - Mar Íntimo



Resista! Mesmo suas dores pareçam insuportáveis

Lute, mesmo que não tenha mais armas

Levante-se, mesmo que tenhas caído de joelhos

Não tenha medo da queda ela irá te ensinar a voar

Quando o chão se abrir sobre seus pés liberte-se

Feche os olhos, mesmo quando as lágrimas te cegam seu coração será seu guia

Ame intensamente

Se entristeça brevemente

Perdoe incondicionalmente, mesmo quando aquele que te

feriu deixou cicatrizes irreparáveis

Não feche as cortinas do tempo quando o grande espetáculo

da vida está no meio do seu show

Levante-se!

Keli Wolinger

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Peso da Alma VI - DESTINO

Desde já gostaríamos de agradecer a todos os leitores do Blog pelo carinho, atenção e interatividade ao longo das postagens dos capítulos deste conto.
Chegamos a etapa final e sentiremos falta rsrsrs.
Perdoem-nos pelo atraso da postagem, mas o texto foi um pouco extenso =P como irão perceber.
Ao Alan, um dos leitores que nos deu a ideia de um final "alternativo", não esquecemos sua opinião e o final será devidamente enviado para você se desejar postá-lo em seu espaço da blogosfera.
Aos demais nossos eternos agradecimentos pela parceria até então.

Muito Obrigada(o)!!

Keli Wolinger e Diogo Campos

Para relembrar:




NATASHA

Natasha encarava a mesa de mármore enquanto sorria com o canto dos lábios. Por quanto tempo insistiu que Denis “o libertasse”, que assumisse de vez quem ele era e qual o seu propósito nessa vida, porém entendia o quão difícil era tomar uma decisão quando se está dividido.

Não importa o que decidissem eles sabiam qual seriam seus destinos e ao que estavam condenados, poderia levar dias, ou minutos, mas já estava traçado antes mesmo que eles tentassem mudar.

Ela mantinha os olhos fechados enquanto lágrimas desciam pelo seu rosto, a respiração era contida, mas os batimentos cardíacos acelerados. Conseguia sentir ele se aproximar, era Renan. Reconheceria o som daqueles passos mesmo a quilômetros de distância e o cheiro que emanava de sua pele, adorava sentir aquele aroma, mais uma vez conteve-se e engoliu o choro que nascia em seu peito.

Renan se aproximou e por alguns instantes permaneceu em silêncio, Natasha conseguia sentir a ansiedade na respiração dele e dessa forma adiantou-se:

- Pode falar Renan prometo te ouvir.

DENIS

O som estridente da campainha trouxe Denis de volta para seu quarto, um quarto diferente do que costumava ser antes dela. Livros pelo chão, folhas de jornal sobre o computador, dezenas de janelas abertas no monitor e a caixa quadrada de papelão com o nome “PRISCILA” escrito na tampa, ele a esperava. O retorno para o corpo foi rápido demais e ele derrubou o copo de vidro que tinha na mão, que caiu sobre algumas folhas de papel amassadas e jogou para longe as duas pedras de gelo, apenas o gelo, a Vodka já havia sido consumida por inteiro do copo e pela metade da garrafa. Natasha tinha razão, precisava arrumar um meio mais fácil.

Levantou e caminhou até a porta da sala. Ao passar pelo corredor parou diante do espelho apenas para se certificar de uma coisa, “os olhos ainda estavam verdes”. Abriu a porta e ela estava lá, ele não deu oi, não perguntou como ela estava, apenas deu lado para que ela entrasse e fechou a porta tão logo ela passou. Priscila se apoiou no sofá em forma de “éle” e tirou os tênis como sempre fazia, um gesto mecânico ao qual ela só se deu conta ao ver a expressão no rosto de Denis, os olhos dele diziam claramente para ela não se sentir a vontade.

-Como você está? – ela perguntou em uma tentativa desesperada de quebrar o silêncio.

NATASHA

- Natasha, posso te levar para casa, precisamos conversar você não pode me evitar a vida toda... eu preciso muito falar com você, eu preciso...

- Não se dê ao trabalho de terminar sua frase Renan. Chega desse teatro! Sabemos que não é como antes, não há mais nada entre nós, pelo menos da minha parte. Acabou, c’este fini não confio mais em você e, por favor, não me faça ter pena de você além do sentimento de repulsa que sinto no momento.

Natasha se levantou para se desviar da conversa, Renan a segurou pela cintura junto ao seu corpo, fixou seus olhos aos dela e percebeu que eles estavam negros abrasadores. Ela não conseguia entender como ele mantinha o olhar, outros em seu lugar já teriam ficado exauridos.

- Você vai me ouvir Natasha, vai me deixar falar depois você faz o que achar melhor -Renan foi incisivo.

Enquanto a mantinha entrelaçada em seus braços, aproximou seus lábios da nuca de Natasha, o movimento fez um arrepio lhe subir pela espinha ela soltou um suspiro.

- Você pode estar magoada comigo Natasha, mas não pode negar que ainda sente algo muito forte em relação a mim.

- Ódio e uma incrível vontade de matar você Renan – um sorriso irônico nasceu no rosto de Natasha.

- Só te peço, por favor – implorou Renan.

- Você sabe o significado destas palavras? Nossa me admira, você não costuma usá-las com freqüência.

Renan suspirou inconformado, mordeu os lábios e movimentou as sobrancelhas uma forma de pedir que ela cessasse os comentários.

- Tudo bem Renan vamos, mas saiba que nada do que você me disser irá mudar o que aconteceu muito menos alterar nosso futuro, o cristal se quebrou e o destino já.....

Antes que ela pudesse concluir a frase Renan a conduzia pelo corredor em direção ao carro estacionado poucos metros dali. Ele mal sabia o que estava por vir, sua vida não seria mais a mesma depois daquela noite.

DENIS

Os dentes dele ficaram a mostra em um sorriso sarcástico, como se não acreditasse no que ela perguntara. Ele a tinha chamado, ele deveria começar a falar, mas mesmo assim não conseguia assimilar o que estava se passando, então deixou que o outro falasse, o libertou, mas o fez como uma mãe que insiste em não largar a mão do filho enquanto este corre para o balanço.

-Como eu estou? COMO EU ESTOU? Você está realmente me perguntando isso? Você sabe o que aconteceu? Você sabe o porquê eu não fui te visitar desde que você perdeu o bebê? Você sabe o inferno que a minha vida se tornou desde que eu descobri que você estava dormindo com o Neto novamente?

-PARA!!! – a voz de Priscila não nasceu de suas cordas vocais, mas do fundo de sua alma, havia mais força naquele grito do que o ar sugado pela turbina de um avião, as palavras de Denis foram jogadas de volta para dento de sua boca. Quando ela continuou, sua voz era branda e lenta, como se tivesse usado todas as forças para fazê-lo parar. –Ele me contou tá bem, ele me contou que se encontrou com você.

Denis ergueu a sobrancelha direita e cruzou os braços frente ao peito, sua voz foi tão sarcástica que despertou uma expressão de repulsa na face de Priscila.

-Aaaah ele te contou? E mesmo assim você está com ele? Mesmo assim você está dormindo na mesma cama que ele sem nem ao menos ter tido a coragem de vir aqui terminar comigo primeiro? – Denis sorria enquanto falava, precisava sorrir mostrar sua verdadeira face, aquilo que realmente sentia colocaria tudo a perder. Priscila não o encarou, olhou para os azulejos brancos do chão e afirmou com a cabeça.

-E você acreditou nele? Na versão em que ele diz que “conversou” comigo, garanto que você também ficou pensando que ao descobrir que o filho era dele e não meu eu deixei de te amar. Eu não deixei de te amar Priscila! – a voz de Denis oscilou e ele foi forçado a parar de falar para evitar as lágrimas, seu vacilo foi disfarçado pelo rompante da mulher em sua frente.

-Se me ama por que me abandonou! – ela gritou levantando os braços e fazendo cabelo esvoaçar no ar. – Por que não me ligou, nem sequer para saber se eu estava viva?

Tão logo a última palavra abandonou Priscila a voz de Denis se fez ouvir.

-Porque eu sabia que você estava viva! Porque foi esse o trato que eu fiz com ele! Porque ele colocou um revólver no meio da minha testa e jurou matar a nós dois se soubesse que nos encontramos novamente. Eu não te procurei porque ele disse que cuidaria de você depois que eu me afastasse, disse que enquanto eu me mantivesse longe você estaria em segurança. Fiz o que fiz... - a voz dele tremeu e desta vez foi impossível conter as lágrimas- Porque te amo.

NATASHA

Natasha observava o reflexo difuso das luzes passando através da janela do carro, o silêncio no interior do veículo só era interrompido pelo barulho do motor. Renan dirigia apenas com a mão direita, a esquerda mantinha pressionada nas têmporas. O trajeto normalmente não levaria mais que vinte minutos, mas hoje parecia durar uma eternidade.

Ao chegarem diante do prédio em que Natasha morava, Renan pediu que ela o deixasse a acompanhar até seu apartamento precisavam conversar, desta vez ela não hesitou apenas fez em gesto afirmativo com a cabeça desceu do carro em silêncio e adiantou-se de Renan.

Natasha sentia o coração bater na garganta, as lágrimas que insistiam em nascer em seus olhos e que disfarçadamente ela secava, seu peito estava dilacerado amava tanto Renan quanto sua outra metade, mas algo havia mudado, seu orgulho foi ferido.

Ele foi o primeiro a quebrar o silêncio, pigarreou, coçou o couro cabeludo como se procurasse as palavras para iniciar o seu discurso.

- Natasha não estou pedindo que compreenda o meu erro, porque não tem explicação que consiga expressar como me sinto diante de tudo que aconteceu. Não consigo te definir o que fiz, é como se não fosse eu, você pode não acreditar no que vou dizer, mas é como se algo me induzisse a agir assim, quando me dei conta já havia feito.

Ela o encarava com um olhar cético seus olhos tão escuros, intensos e abrasadores que era possível sentir as salamandras que eles emanavam.

-Depois de tudo que eu fiz por você Renan, de tudo o que abdiquei, desses anos todos em que eu confiei em você, de todo o amor que nem sequer um dia pensei em sentir por alguém simplesmente quero que me responda algo: Por quê? Só me responda isso ...

A reação de Renan foi inesperada. De joelhos aos pés de Natasha ele começou a chorar de maneira incontrolável enquanto repetia palavras descompassadas – só não me deixa eu preciso de você, eu preciso....- Natasha jamais imaginou que um dia veria ele agir daquela maneira. Renan era extremamente racional, considerado por muitos como frio, calculista e até mesmo insensível, ele nunca demonstraria fraqueza.

- Levante-se! O que pensa que você está fazendo ... que eu irei ceder, ter compaixão de você? Olhe para mim Renan, veja o estado em que eu estou no que me transformei por sua causa... não serão suas súplicas que vão me salvar, eu precisaria de muito mais que isso... você realmente não compreende o significado de sacrifício, e eu desconheço o significado de perdão. Agora me deixe em paz com a minha dor. A porta pela qual você entrou é a mesma pela qual irá sair pra não retornar mais, agora vá!

DENIS

Ela ficou em silêncio, não pode falar, não havia o que ser dito. Ninguém estaria preparado para aquilo tudo, e diante a expressão em sua face, Denis pode ver o que era óbvio, Neto não falara a verdade para ela.

Ela se precipitou. Ele a viu dar o primeiro passo em sua direção e recuou, mas quando ela deu um segundo ficando mais próxima ele manteve o corpo onde estava, talvez por não ter percebido o que ela faria, mas provavelmente por SABER o que vinha em seguida ele queria que isso acontecesse por mais que não devesse. Ela deu um terceiro passo laçou seus braços no pescoço dele e o beijou. Priscila sabia que mais cedo ou mais tarde ele a repudiaria, mas enquanto os braços dele não a afastassem continuaria onde estava. Ele moveu os membros, mas ao invés de afastá-la eles descansaram sob sua cintura e a trouxeram para junto de seu corpo quente. Caíram sentados no sofá, ela ajoelhou-se sobre ele com uma perna de cada lado de seu corpo ficando mais alta, beijando-o, beijando e passando a mão por seu corpo, seus ombros, seu peito, seu rosto. A respiração cada vez mais rápida, a excitação, há quanto tempo não se sentia assim, não era isso que sentia quando estava com o outro, o que era aquilo? Que sensação era aquela? Será que ela também estaria...

As mãos dele envolveram ambos os braços dela e a forçou a desgrudar de seus lábios. O olhar dela estava perplexo, ele nunca a negara, nunca se opusera e como poderia agora? Depois de dizer com todas as letras que a amava? Foi só então que olhou de verdade para os olhos dele, verdes, embaçados pela água que vertia e escorria pela face, quando ele falou, ela finalmente conseguiu perceber o que sentia.

-Acabou Priscila. Eu não quero mais isso, não quero isso para mim e não quero fingir que está tudo bem entre nós. Não está tudo bem, nunca mais estará diante do que passamos. Vá embora. – ele fez uma pausa, precisava de fôlego para continuar. – Pegue suas coisas e vá embora, para não mais voltar.

NATASHA

Natasha mantinha o dedo indicador em direção à porta, as cores de seus olhos se alternavam, sabia que se Renan insistisse em pressioná-la poderia fraquejar, já havia se decidido, ela precisava manter ele longe, acharia outra forma de ajudá-lo. Caso contrário ela ficaria cada vez mais vulnerável do que já estava e seria mais fácil para seus inimigos fazê-la desistir de vez de sua missão.

Renan levantou-se abruptamente, segurou-a em seus braços e a beijou, ela sentiu como se uma corrente elétrica passasse pelo seu corpo, os joelhos tremeram. Desvencilhou-se dos braços dele e já não governou seus atos, foi tomada pela fúria e cortou o ar com a mão esquerda acertando a face de Renan, antes mesmo que ele pudesse sentir a dor um líquido espesso escorria pela sua face e pelo canto da boca de Natasha, ela havia cuspido em seu rosto.

-Eu tenho nojo de você! Vai embora... sai da minha vida... eu não confio em você saaiii... - Natasha esbravejava em meio às lágrimas.

- Eu amo você! Vou sair porque está pedindo, mas não vou embora. Estarei ao lado de fora esperando você me ouvir.

Renan deu as costas e bateu a porta fortemente. Natasha não se conteve começou a chorar abraçada ao travesseiro. Não podia desistir de Renan o amava, mas sabia que se continuasse ao seu lado iniciaria uma guerra sem precedentes entre dois mundos. Ela já havia quebrado o equilíbrio, até quando conseguiria manter o controle? Não tinha certeza se ainda tinha controle algum, e sem forças, exaurida, caiu no sono, mergulhada em suas indagações.

DENIS

Lágrimas nasceram nos olhos de Priscila. Ela tentou falar, mas suas cordas vocais estavam entrelaçadas, não pode proferir nada, mas sabia que ele estava certo, ela mesma já tentara fazer isso no passado e nunca tivera forças, pena ter descoberto somente agora o que sentia por ele.

-Eu te amo Denis.

NATASHA

Natasha despertou assustada como se retornasse de um pesadelo terrível, suspirou profundamente, sua guerra interna havia começado e as últimas palavras de Denis ressoavam em sua cabeça,

“Não importa se fumamos trinta cigarros por dia, ou um cigarro por trinta anos, o resultado nós sabemos qual é. Não se pode fugir, ou teremos que esperar uma nova vida para retornar e iniciar do ponto que desistimos. Você sabe disso tanto quanto eu.”

Os lábios de Natasha ensaiaram um sorriso, observou a aliança prateada que por anos usou no dedo anelar posta sobre o criado mudo ao lado de sua cama. Levantou-se, parou diante da porta e olhou pelo visor, Renan estava deitado no chão ao lado de fora como havia prometido. Ela vacilou ao segurar a maçaneta, mesmo assim o fez. Abriu a porta ajoelhou-se ao lado dele e recostou seu rosto próximo ao dele.

-Renan acorda, vamos entrar está muito frio aqui, você vai congelar.

Ele abriu os olhos e rapidamente a abraçou.

Eu te amo, nunca se esqueça disso.

Natasha sorriu e pediu que ele entrasse.

- Você está gelado - murmurou.

- E você está quente como sempre? Somos yen e yang. – sorriu Renan enquanto a abraçava e beijava sua testa.

Ela deitou sobre o peito de Renan, enquanto sorria lágrimas molhavam sua face.

–Não importa quem, ou o que você seja Natasha, eu quero ficar ao seu lado, venderia minha alma se preciso.

Renan deixava as palavras fluírem enquanto a mantinha em seus braços. Natasha sentia suas forças retornarem para seu corpo lentamente, ela podia sentir a energia que saia de Renan para seu encontro. Um calor, uma energia boa. Adormeceu. Não havia mais nada a fazer a guerra havia começado.

DENIS

Ela se desvencilhou das mãos dele. Levantou-se e colocou os tênis, amarrou o cabelo com rabicó que usava no pulso e caminhou para o corredor. Ele não conseguiu levantar do sofá, não conseguiu entender o que ela tinha dito, escutou cada palavra, mas não entendeu. Ela voltou pelo corredor trazendo a caixa com seu nome escrito. Abriu por um instante e deixou escorrer mais algumas lágrimas pela face. Ela parou frente à porta de saída e repousou a mão na maceta sem olhar para trás. Denis se colocou em pé atrás dela, mas não proferiu palavras, não sabia o que dizer.

Ambos não conseguiam falar, muito menos enfrentar a verdade. Não existia mais esperança no coração dos dois.

Ela girou a maçaneta e saiu fechando a porta. Ele se demorou, não saiu do lugar ficou encarando a porta de madeira branca. Então correu e a abriu. Abriu rapidamente quase acertando o próprio rosto e olhou a rua e a calçada, ela não estava mais lá. Partira para nunca mais voltar.

Voltou para o quarto e sentou-se diante do computador. A garrafa de Vodka ao lado do monitor. “Quente” – pensou. Juntou o copo do chão e serviu até a metade. Ligou o aparelho de som e tomou o primeiro gole.

NATASHA

Ela abriu os olhos e viu que adormecera sobre o peito de Renan. Não sabia como conseguiu dormir depois daquilo tudo, mas sabia como Denis chamaria: “Exaustão”. Levantou em meio a um bocejo e trançou as pernas para até o banheiro se sentia sonolenta.

DENIS

O som da bateria de qualquer banda de rock que ele não conseguiu identificar o despertou do sono, um sono sem sonhos, daqueles que bebem mais do que o organismo agüenta. A garrafa de Vodka jazia jogada sobre a cama sem líquido algum. Levantou - se e trançou as pernas embriagadas até o banheiro.

NATASHA

Ela abriu a torneira e pôs os pulsos sob a água corrente, água gelada para as mãos eternamente quentes. Passou o líquido no rosto e o sentiu escorrer pela face até o pescoço.

DENIS

Ele abriu o chuveiro e enfiou a cabeça debaixo da água gelada. Olhou para a prateleira de vidro dentro do Box e pegou a espuma de barbear e a gilete, era hora de se desfazer de velhos hábitos.

NATASHA

Ela soltou o ar lentamente mantendo os olhos fechados, apoiou uma das mãos na pia, soltou a cabeça deixando os cabelos vermelhos soltos sobre o rosto.

DENIS

Ele saiu do Box e girou cabeça como um cachorro se livrando da água, pôs a espuma em uma mão e segurou a gilete com a outra.

NATASHA

Ela abriu os olhos diante do espelho.

DENIS

Ele abriu os olhos diante do espelho.

NATASHA

Ela viu sua imagem, mas não reconheceu a si mesma de imediato. Seus cabelos não estavam vermelhos, eram negros e reluzentes. Mudavam o semblante de seu rosto. Sabia que era a si que enxergava, mas ainda assim, uma pessoa completamente diferente.

DENIS

Ele viu sua imagem, mas não reconheceu a si mesmo de imediato. Não havia mais barba, antes mesmo de fazê-la ela havia desaparecido. Não apenas a barba havia mudado sua feição não era mais a mesma, parecia mais austero, mais forte, era a si que enxergava, mas ainda assim, parecia ser uma pessoa completamente diferente.

OS OLHARES SE CRUZARAM

Denis e Natasha

Através do espelho em suas casas separadas, seus olhos se encararam e cada um pôde ver dentro da alma do outro. Petrificaram sobre os azulejos do banheiro e fixaram olhos e mente em apenas um objetivo. Um ao Outro. Viram dentro da essência do ser e enxergaram aquilo que escondido habitava em suas almas.

***

O sol nascia no horizonte criando a primeira imagem de seu reflexo na superfície límpida do mar. O silêncio da imensidão desértica inundava os ouvidos daquele andarilho que agora parava para molhar os pés e acalmar seu espírito. Momento em que o circulo laranja nasce da água até o instante em que desaparece, uma janela de tempo se abre uma vez a cada cento e sessenta e oito horas uma vez por semana. O último momento real da quinta feira.

As ondas trazendo o néctar de Kronos chegavam à beira da praia molhando os pés de Denis, ele estava parado com as mãos nos bolsos, de olhos fechados e virado para o sol escutando o doce som do vai e vem infindável das águas salgadas. Acalmava seus pensamentos, limpava a mente e esperava pela companheira.

-Gostei dos cabelos negros Natasha – falou para o nada sem abrir os olhos ou escutar os passos da chegada, mas ela já estava sentada à suas costas sobre um tronco de madeira cinza na areia.

-E parece que finalmente você resolveu me escutar e tirou à barba – respondeu a garota. - Ela quer falar com seu amigo deixe-o sair. – As palavras eram mais firmes do que um pedido formal, quase uma ordem, mas com a consciência medida que não se deve ofender forças com as quais não se compreende por completo.

Denis sorriu.

-Enfim colocaremos os quatro face a face – Denis deu as costas para o sol e abriu os olhos, encarando Natasha. Tinha olhos diferentes.

Um verde.

E um castanho mel.

-Olá minha amiga, há quantos anos não a vejo? – as expressões faciais também estavam divididas. O largo sorriso no rosto de Denis dominava apenas seu lado esquerdo, enquanto o lado do olho verde permanecia sério.

-Séculos eu diria, e não apenas como figura de linguagem. Mas sabe muito bem que não foi para isso que o chamei aqui. – Natasha não tinha expressões alegres, seu rosto era duro como uma pedra. Ambos os lados, com a única diferença de um olho castanho, e outro negro e profundo. O mesmo olho que Denis não ousava encarar sozinho.

-Espero que tenha algo bom, não enchi a cara de Vodka para vir aqui perder meu tempo.

O meio da testa de Natasha se enrugou e sua voz ecoou pela praia deserta.

-Já te disse para aprender a controlar este seu corpo! Precisa conseguir fazer a assimilação sem a necessidade dessa bebida!

As mãos de Denis continuaram em seus bolsos e o seu característico sorriso surgiu em seus lábios, nas duas metades.

-Descobri o que sou com vinte anos de idade minha cara. Você é mais velha nesta existência, consegue ir e vir com mais facilidade.

-Precisa cuidar mais desse corpo, ou vai ser punido quando voltar.

-Não me faça rir falando de punições agora – um leve tom sarcástico pairava na voz de Denis. - O que me importa se o “Grande Pai Todo Poderoso” decidir me punir. Fazer o que ele faz conosco já é uma grande punição.

-Não fale assim de nosso Pai! Ser o que somos é uma honra, somos guias, somos aquilo para o qual as pessoas rezam antes de dormir!

-ELE NÃO É NOSSO PAI! – Denis tirou as mãos dos bolsos e apontou com o indicador para a amiga como se a ameaçasse. - Sabe que não, e sabe que ele não nos considera como filhos! Ele pode dizer isso, mas um pai não amaldiçoa os filhos como Ele faz conosco!

-Denis, você precisa entender...

-Entender o que? Entender que por conta dos erros dos filhinhos perfeitos com auréolas dele nos seremos punidos?

Natasha soltou o ar como se unisse força para continuar falando.

-Um anjo não pode ter sentimentos humanos Denis. Nossos pais desrespeitaram isso, eles amaram homens e mulheres. Pelas leis Dele, a nossa existência não deveria nem mesmo ser cogitada.

-E você diz que ele nos permitir estar aqui já é uma grande bondade.

Natasha balançou a cabeça negativamente olhando para os pés enfiados na areia.

-Sabe o que dizem não?

Denis ergueu as sobrancelhas, sua expressão falava por si só. (O que?)

-Ele escreve certo por linhas tortas.

-Faça-me o favor Natasha! – explodiu Denis, incrédulo ao escutar as últimas palavras da amiga. – Somos o limbo das raças celestes, nem perfeitos para sermos Anjos, muito menos imperfeitos para nos tornarmos Demônios e tão pouco medíocres para sermos Humanos. Não temos nem sequer o direito a um julgamento, ambas as portas estão fechadas para nós, tanto as de cima quanto as de baixo. Então se você quer falar de honra, não escolha a mim para seu ouvinte.

-Denis, você precisa aceitar, é o filho de um Anjo com um humano. Isso lhe dá tarefas, lhe dá responsabilidades que os outros seres não têm. Precisa aceitar isso e aprender a lidar com este fato.

Apenas as ondas se fizeram escutar o sol já aparecia quase completamente no azul do céu.

-Foi para isso que me chamou aqui? Para mostrar para esse rapaz o que existe dentro dele? Pois bem, sua tarefa está cumprida. – Denis colocou as mãos de volta dentro os bolsos e começou a andar para o mar.

-Agora que nós quatro estamos cientes da verdade Denis, você está pronto para encarar o que vem pela frente? Sobreviver à guerra que acabamos de dar inicio?

Denis parou de caminhar e olhou para trás, primeiro com o lado esquerdo, o olho castanho, depois com o lado direito, o olho verde, então falou:

-Nós vamos descobrir isso juntos Natasha. Não fomos enviados juntos para esse campo de batalha durante tantas existências por mero acaso somos parceiros, enquanto houver um, o outro não falhará.

Ambos sorriram ele então se virou para mar.

-Denis! – chamou Natasha.

E ele olhou para os olhos dela, como os seus também distintos, um castanho e outro negro.

-O que?

-Bem vindo de volta amigo.

Ele sorriu.

-Sim, você também.

O sol laranja abandonou o mar e flutuou sozinho na imensidão azul do céu, deixando à areia deserta, sem pegadas, sem pés a serem molhados nem troncos para andarilhos descansarem. A janela se fechava e largava seus soldados ao mundo real prontos ou não para cumprirem suas missões.

THE END

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

À DESCOBERTA DO AMOR


Meus amados peço perdão pelo o atraso de posts, mas uma gripe acabou me impossibilitando de ficar junto a vocês. Para iniciar a semana na terça hehehe.. um texto para refletir do grande Gandhi.

A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.

Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e faça-o conhecer ao Mundo.

Mahatma Gandhi

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Do Pranto ao Riso


Dos versos alheios que faço os meus
quero em teus braços me entregar,
pelo seu corpo navegar para em seus lábios ficar.

Dos dias tristes e incansáveis, das memórias dos momentos
inglórios que não estive junto a ti.

De quando eu não fui sei canto, seu pranto,
verso e poesia.

De quando eu não fui seu silêncio, tormento,
caos e mansidão.

Que eu seja sua brisa, tempestade,furacão e calmaria.

Porque eu sou sua chegada e partida
com “todo amor que houver nessa vida”.
Apenas perceba e receba meus versos
cobertos de puro amor.
Keli Wolinger
*Dedicado a uma pessoa muito especial meu namorado Ricardo =]

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Peso da Alma V- Derrotados

Chegamos ao penúltimo capítulo do conto. Obrigada aos leitores pelo carinho, dedicação, troca de ideias e opiniões desde a primeira postagem.
Confesso que sentirei falta de continuar a ‘saga’ como diria um dos leitores ávidos o Alan, porém não está descartada a hipótese de histórias paralelas dos protagonistas (todas as ideias serão bem vindas).

Para quem não leu os primeiros capítulos um rápido 'flash back' =] :

Boa leitura a todos!
Keli Wolinger

***

Denis seguia pela rua movimentada de final de tarde com passos largos e descompassados. Imerso em pensamentos que lhe inundavam a cabeça. Não conseguia esquecer as últimas palavras de Priscila, elas ricocheteavam em sua mente com ondas batendo com ferocidade nas encostas de pedras.

Seus passos seguiam rumo á lugar algum, seu corpo estava torpor, sentia sua respiração pesada como se cacos de vidro fossem aspirados e seu peito pudesse se rasgar a qualquer momento. Sua visão ficou turva e algo molhou seu rosto, levou a mão até os olhos e sentiu a ponta dos dedos úmidos, “lágrimas” - pensou - há quanto tempo não as derramava.

Seu telefone celular tocou e por um breve momento deu um suspiro de alívio, como sempre Natasha estava um passo a frente, ele precisava dela mais do que nunca, sabia que ela era a única pessoa com quem falaria naquele momento.

-Alô – a voz de Denis era contida quase rouca.

-Estou indo para ai, te espero em frente á sua casa, fica bem garoto em breve estarei com você.

Ele procurou se recompor seus sentimentos mesclavam desde paixão, raiva de si mesmo, ódio e desejo de vingança. Não estava muito longe de casa precisava encontrar Natasha mais rápido que pudesse, antes que seu corpo atingisse fundo do abismo.

Os carros passavam rapidamente pela avenida ele pode avistar a amiga o aguardando uns 200 metros a frente, os longos cabelos vermelhos esvoaçantes, a roupa de tom fúnebre habitual e inconfundível. Como se ela soubesse que Denis estava se aproximando girou seu corpo em meia lua abriu os braços para recebê-lo.

Denis correu em sua direção a abraçou, recostou sua cabeça no ombro de Natasha como se tivesse encontrado esconderijo quando se foge, com medo chorou. Deixou as emoções falarem mais alto, não teve vergonha do momento apenas desabafou da forma que conseguiu. A amiga o abraçou fortemente, afagou seus cabelos, como uma mãe que busca acalmar seu filho depois de um pesadelo.

- Vai ficar tudo bem garoto, chore você precisa disso.

Longos minutos se passaram até Denis cessar o choro recobrar a compostura e por fim falar:

- A Priscila esta grávida e.... – tentava concluir a frase enquanto encarava o rosto apreensivo da amiga, mas foi interrompido antes que pudesse terminar.

- E não é seu – respondeu ela, enquanto mordia o canto dos lábios.

A resposta de Denis com o gesto afirmativo movendo a cabeça fez Natasha encarar o chão, levar as mãos às têmporas suspirando de maneira fatigante rebateu:

- Não me surpreende, mas e agora meu caro você está preparado para o que está por vir? Lançou a pergunta arqueando a sobrancelha esquerda. A resposta foi sonora e direta, exatamente como Natasha esperava.

***


Natasha e Denis estavam frente a frente, como gladiadores que se preparam para entrar na arena. Com os punhos cerrados sobre a mesa ele a encarava, o ar saia rapidamente de suas narinas fazendo elas se moverem como as de um cão farejador. Natasha mantinha a mão esquerda aberta como apoio para seu corpo, seus olhos estavam tão negros quanto carvão era como se eles mostrassem salamandras dançando ao som da fúria.


- Você tem medo de quê garoto? De receber um castigo maior do que já ganhou, ou ter a mesma condenação que eu? – ela o indagou em tom irônico.


- Não misture as situações garota de Avalon, eu não quebrei o equilíbrio como você, não alterei o destino de ninguém, não entreguei uma arma engatilhada para alguém que não sabe atirar.


Natasha soltou uma gargalhada gélida, sinistra e sua face tinha traços de uma inquisidora.


- Realmente senhor de Orion, você não quebrou diretamente o equilíbrio, você quis apostar com ele desafiá-lo e tentar provar que pode vencer esse jogo. Quer saber a verdade, não existem ganhadores ou perdedores, estamos em terreno arenoso seja qual for a NOSSA decisão iremos interferir.


Denis abaixou a cabeça e levantou a mão esquerda, com um gesto sutil insinuou para que ela continuasse. Natasha respirou profundamente e sentou-se apontou para a cadeira o convidando a fazer o mesmo. Ele não o fez.


- Temos uma missão Denis, fomos enviados até aqui para ajudar nossos protegidos a encontrar o caminho certo. Ambos sabemos da guerra diária entre o bem e o mal, não podemos interferir nesse equilíbrio apenas ELES podem decidir de que lado irão ficar, somos meros guardiões.


O clima ainda estava tenso entre eles, Denis permanecia em pé olhando o mármore da mesa enquanto procurava organizar os arquivos de sua mente e recobrar a calma:


- Quando você descobriu que Renan podia morrer, uma parte de você falou mais alto. Você foi pega de surpresa ao atingirem seu calcanhar de Aquiles, percebeu que o amava tanto quanto ELA. Esse foi o seu tormento, até então, apenas seguia com a missão de protegê-lo de algo que o persegue desde antes de ele nascer.


-Eu sou fraca é isso que você quer ouvir? Admito eu tive medo, quando percebi que poderia perdê-lo confundi as situações e.....


- Não me faça rir Natasha, como pode perder algo que nunca teve. Renan é DELA não seu. - As palavras de Denis eram ríspidas e de tom irônico.


- Elementar meu caro Denis – entre risos – eu sempre soube que Renan era fraco demais para conseguir sozinho, manipulável, ambicioso capaz de tudo para chegar onde quer mesmo assim, EU o amo, quando soube que ele poderia morrer decidi pela barganha troquei minha alma pela dele. Evitei um problema, porém o preço que irei pagar é muito alto e você sabe tão bem qual é.


- A inocente Jennifer, tão influenciável, a isca perfeita para te atingir e ganhar o Renan. Você quebrou o equilíbrio e deixou o caminho livre para os perseguidores agir, desta forma, eles influenciaram Renan a trair a namorada com Jennifer para que ele conhecesse o irmão da garota se envolvesse com atos ilícitos. Pronto ! Primeiro alvo atingido então eles conseguiam iniciar a destruição de toda a família do Renan. Um plano perfeito até você descobrir que tudo isso aconteceu porque você o livrou da morte, não conformada com a situação tentou despertar a aprendiz que existe em Jennifer, e assim, passar a sua missão para ela brilhante, magnífico se ela tivesse aceitado.


- Bravo Denis! – Natasha fazia alusão a uma salva de palmas – eu estou pagando pela minha intervenção já recebi o meu castigo. E quanto a você qual será a peça que irá mover agora, grande estrategista? Olhe para você a quem mais deseja enganar com esse teatro? Cabelos longos, barba por fazer a bela imagem de um ser angelical, o senhor bondade que a tudo e a todos perdoa, não seja cínico!


- Quais seus argumentos para esta conclusão Natasha?


Mais uma vez a gargalhada sarcástica da ruiva o espantou.


-Quando você conheceu Priscila, sabia que ela era sua missão. Protegê-la e ensiná-la a seguir o caminho sozinha acertando erros do passado. Começou como um jogo, um desafio, como tudo para você é. A bela garota sonhadora mais experiente que você, só que o que você não contava é que ela tinha uma filha e um ex marido louco. O que tornaria mais difícil sua incumbência.


Denis fechou os olhos e por fim deixou seu corpo cair sobre a cadeira, com o queixo apoiado nas mãos unidas ouvia atentamente cada palavra de Natasha, como se um filme se passasse por sua cabeça.


- Você falou o que desejava Denis, chegou minha vez de dar o veredito – esbravejou.- Ela te fascinava você então se aproximou como o bom amigo, um porto seguro, alguém que ela podia confiar. Deixou-se apaixonar, ao ponto de se tornar o “caso”, não era assim que ela chamava a relação de vocês? Sabia que ela não estava completamente separada do Neto, e mesmo assim decidiu insistir. Tinha conhecimento de qual seria o fim de tudo isso, o caos que é quando se interfere nesse plano.

Natasha se tornava insisiva enquanto falava mantinha o dedo indicador da mão esquerda apontado para o rosto de Denis.


- Eu sempre procurei fazer tudo corretamente, assumi os riscos de brincar com fogo e me queimar, de sentir o vento batendo nos cabelos enquanto pulava para o abismo – Denis deixava as palavras fluírem enquanto permanecia de olhos fechados.


- Não! Você nunca foi verdadeiro, nunca deixou ELE assumir o controle da situação, ela precisava saber, ela tinha o direito de saber quemé você de fato, e o que realmente pensava das atitudes dela, só assim você poderia viver sua paixão. Mas o que você preferiu? Usar uma máscara de falso moralista e a perdoar uma, duas, três, quatro, ... quatro vezes você engoliu tudo e fingiu estar tudo bem.


- Ela não entenderia Natasha, o que você queria que eu fizesse? Simplesmente a abandonasse?


-Não! Só não queria que você tentasse se matar literalmente! Lembra-se de quando Neto veio atrás de você? Santo Deus Denis! Quase tive que reconhecer seu corpo em um necrotério, a sua amada Priscila manteve você e o ex ao mesmo tempo. Até mesmo depois que você a pediu em namoro, com direito a alianças e realizou o lindo sonho de conto de fadas dela.


- Por isso Natasha, eu não podia deixar ela não mãos desse insano, um psicopata saído dos piores pesadelos de Krueger.


- Que lindo! Digno de um romance Shakespeariano, o que aconteceu hein? Ele descobriu a aliança na bolsa dela, a seguiu até o trabalho, viu vocês juntos e não foi muito difícil para ele descobrir onde você mora e estuda. Obrigou-te a entrar no carro dele apontou uma arma para sua cabeça fez ameaças a você e toda sua família e mesmo assim, o que você fez?


Denis suspirava profundamente enquanto deixava uma lágrima rolar pelo seu rosto.


- Você a perdoou, ou melhor, guardou nesses seus incríveis arquivos mentais na pasta “coisas a esquecer” e jogou na lixeira, mais uma vez se arriscou e insistiu que iria mudar o que já estava planejado. Eu sei que você odeia esse clichê de “tinha que ser assim”, ou é o “destino”, mas Denis não podemos mudar, somos limitados a essas regras eu, você e tantos como nós através de séculos.


Ele permanecia em silêncio, abriu os olhos e encarou a amiga a sua frente notou que os grandes olhos negros não lançavam mais labaredas mesmo assim evitou manter o olhar. Já Natasha sabia que não estava conversando com ele e sim com a outra metade.


- Esclareça-me uma dúvida minha cara, naquela noite em que você ajudou em minha libertação, quando você me doou parte de sua energia, me fez reviver por assim dizer você já estava debilitada?


Como resposta apenas recebeu o silêncio. Percebeu que Natasha mordia o canto dos lábios, estalava os dedos e secava as mãos suadas na calça , ela reagia desta maneira quando se sentia acuada.


-Insana! Diante de todas suas debilitações você dividiu parte de si mesma comigo, me deu forças para sair daquele abismo quando me abraçou, e depois disso tudo ainda tentou fazer o que tentou com Jennifer? Sorte sua que não funcionou, da próxima vez que quiser tentar algo do gênero me chame que eu jogo uma torradeira na sua banheira, ao menos não haverá tanto drama.


Ela arqueou as sobrancelhas e antes que ele percebesse ela já havia contra atacado.


- Claro! E em troca você chamará a mim e não ao Neto. Talvez eu puxe o gatilho.


-Não tenho certeza de o porquê ele não puxou o gatilho. Agora quanto a você... bem, eu não me arriscaria.


Ela apoiou a cabeça no braço esquerdo – um gesto desabitual, teria apoiado no direito se não fosse pela tipóia - soltou um suspiro cansado, esfregou os olhos e fez um gesto com a mão para que ele cessasse os argumentos. Retomou a conversa que realmente importava.


- Quando liguei pra você naquela tarde eu sabia que você estaria em pedaços. Conheci a Priscila o suficiente para saber que ela o magoaria, trairia sua confiança mesmo você usando de toda sua bondade e perseverança em concluir sua missão. Mesmo que de maneira errônea, não o culpo, assim como eu, você se apaixonou e esse sentimento cega e nos impossibilita de sermos racionais até mesmo você "mestre dos magos"foi inevitável um sorriso entre eles.


- Eu estava feliz tudo parecia ter se encaixado, todas as peças do grande quebra cabeças, eu e Priscila estávamos juntos há quatro meses, estarb ao seu lado fazia-me sentir vivo, pleno, ela me amava a sua maneira, mas amava pelo menos gosto de pensar que sim. Eu sabia que era por pouco tempo e....


-Eu queria viver o momento – ambos falaram


- Foi muito difícil ouvi-la dizer que estava grávida, o que mais doeu foi a ver chorar como uma criança que está arrependida de ter quebrado o brinquedo que mais gosta. Sentir seus olhos fixos nos meus enquanto dizia: “e sabe o que é o pior em tudo isso Denis? É que o filho não é seu”. Recebi um golpe de misericórdia, a mesma sensação de estar com a espada de Arthur na cabeça ouvindo as últimas palavras da minha sentença antes que a lâmina dilacerasse meu corpo.


-Seja por fraqueza, ou por qualquer outro motivo que você queira dar, quando ela começou a te contar, a te dizer tudo o que sentia você correu. Talvez por medo, mas principalmente porque você conhece a si mesmo e sabia que se ficasse lá diria tudo o que estava pensando, e seus pensamentos a magoariam, magoariam de uma forma que vocês não conseguiriam reatar. E você gosta dela não gosta Denis? Ou ao menos gosta de pensar que sim. Fato é que você não teve forças para fazer o que devia fazer.


Denis abriu a boca ferozmente para atacá-la, encher de explicações ou gritos de como ela estava errada, mas calou-se e encarou o mármore da mesa.


-Vê? Exatamente como está fazendo agora. Você não o libera, não fala o que precisa e essa talvez seja sua maior fraqueza, você não age quando deve agir.


Um leve sorriso nasceu no rosto de Denis. Surpreendeu Natasha, ela já havia virado o jogo, a alternância na superioridade de cada um nesse jogo era constante, mas ela acreditava que ele já não tinha mais gás para enfrentá-la. Talvez tivesse.


-O que? –perguntou Natasha, a cor de seus olhos oscilou, nem pretos, ou castanhos.Ele apenas poderia ter feito uma coisa para se achar superior neste momento... seria possível - pensou? - O que você fez Denis?


-Ora minha cara - um alargo sorrisso sarcástico nasceu no rosto de Denis -espanta-me você não ter percebido mais cedo. Hoje é quinta feira, era esperado que eu agisse hoje, que outro dia eu escolheria para me encontrar com ela?


Denis arrastou a cadeira e se levantou vagarosamente.


– Agora, se me der licença, vou para casa, logo ela vai chegar.


Denis dá as costas a Natasha com um sorriso no rosto e assoviando , mas com lágrimas no coração. Não estava preparado para o que estava por vir.


To be continued

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Amor é amor



Por alguns instantes guarde meu sorriso e

tenha certeza de que foi você quem o causou.

Caminho sobre incertezas de quem hoje sou

e de quem um dia fui, antes de ser persuadida pelos seus lábios

e entrelaçada pelos seus braços.

Guardo na memória o brilho dos teus olhos, que como

um lago profundo me convidam a mergulhar.

Incansáveis vezes que perdi o sono e fiz promessas

a lua, pedindo as estrelas que iluminasse seu caminho

sem te deixar seguir na escuridão.

Não me peça mais do que amor porque amor,

é amor de qualquer forma e isso basta.

Keli Wolinger

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ausência



Eu prefiro o silêncio e a solidão.

A ausência de palavras, sons me remete há um lugar
em que eu posso reencontrar minha alma e redescobrir minha essência.

Solidão não significa estar sem ninguém e sim, sem você mesmo.

As respostas muitas vezes são mais confusas que as perguntas.

Se encontrar é migrar rumo ao desconhecido.

Só por hoje quero me descobrir e talvez voltar para casa.


Keli Wolinger