sábado, 16 de abril de 2011

Simples assim


Hoje é dia de Martha...


Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal.
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Não me conte seus segredos ... Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

É dela: Martha Medeiros

sábado, 9 de abril de 2011

Nostalgia de meias verdades




Sinto uma saudade de mim. Não sei dizer por onde anda aquela jovem cheia de sonhos no coração, pensamentos livres e ideologia nas palavras. Essa mesmo, que vestia o jeans mais surrado, os fones no ouvido e trazia no peito os solos de guitarra e a batida da bateria - para ser completa. Hoje estou mais preocupada em ser, mãe em alguns momentos (acreditem meu noivo não cresceu) amada, irmã, amiga, ouvinte, confidente, jornalista, estudante e nas horas vagas lembrar que sou mulher. Apesar de muitas vezes me esquecer. Tento sinceramente tento, juro, compreender porque devemos dar um nome para cada sorriso, uma desculpa para jantares que não queremos ir e pessoas que não desejamos falar. É irônico como a cada despertar das horas percorro atrás do tempo com a sensação de que ele corre cada vez mais depressa. Descobri cabelos brancos. Não que isso me preocupe, idade chega para todos. De fato o que me assusta é que não havia me percebido. Todos os dias o espelho me olha, mas ando sem encará-lo ultimamente. Percebi que as pessoas estão morrendo lentamente e isso me causou uma angústia profunda, porque de certa forma também fui contagiada. É difícil quem acha graça de si mesmo, lê boas histórias, assiste bons filmes e se emociona com o pôr do sol. Amor não mata, ele foi feito para ser bebido até a última gota e fica melhor quando se acrescenta uma pitada de saudade. Essa ressaca emocional te faz saber que ainda está vivo.
 “Tudo o que eu fui prossegue em mim”, mesmo que distante está aqui. Quem não gostar de como estou faça as malas e bata a porta.

Keli Wolinger
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