sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Miudezas


Prometo não falar mais em saudade. Contudo relembrei – me disso tantas vezes que nem sei se faz mais sentido. Esqueci de te esquecer, fato simples assim. Procurei pintar com outras cores além do rubro, os olhos marejados pelo desgosto. A vida me apresentou dias cinzas, aos quais meus olhos acostumados com a penumbra cegaram-se diante das cortinas abertas da lucidez. Que ar denso tem a lembrança. Torna a respiração mais difícil, inconstante como se alimentar de farelos de esperança e beber vontades. Aspirar pó de momentos quando tudo se torna maior que a ausência de você. Prometa-me!Você me encontrará na curva da interrogação e de maneira incerta apagaremos as pegadas, rastros do que um dia fomos. Não sei por que (por qual razão) ainda escrevo diante de páginas em branco, se você nem ao menos as lê. Faço isso para me livrar de memórias? Não. Faço para lembrar, porque sou acometida por uma febre de sentir....

Keli Wolinger

PS: Garoto Alan^^ dedicado para você neste dia muito especial seu aniversário :D Tudo de bom, sucesso e bastante prosperidade. Beijo no core

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Atemporal

Dê-me sua mão quando estiver com medo do escuro da noite. Caminharei a passos de estrela ao seu lado para te indicar o caminho.

Adormeça com a certeza de que penso em você quando fecho os olhos. Verbalizo em maiúsculo nossos sonhos.

Sabe de um segredo? Tenho problemas com vírgulas, pausas, espaços vazios de você e nesse momento sou vestígio, rastro do seu percurso.

Conheço a cartografia da sua pele. Num contentamento descabido de razões conjugadas no presente mais perfeito. Em grafia insolúvel, no íntimo, escrito às cegas de modo intenso e preciso perdura seu nome.

Não é pecado pensar em você, nem imaginá-lo pensando em mim. Passadas dúzias de primaveras, seu sorriso de sol aquece por vezes o frio que se faz dentro do peito.

Você aprendeu o sentido do meu não, meus silêncios necessários e as palavras transcritas em lágrimas. Descobriu o nome do meu sorriso e os versos do meu olhar.

Soltarei então o freio do tempo. O sábio guardião da experiência nos conduzirá pelos anos insondáveis que ainda compartilharemos. Somos o que existe além do infinito.

Keli Wolinger

*Para uma pessoa muito especial - meu noivo Ricardo, em comemoração a esta data peculiar. Viva nós!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Preciso continuar o [In]acabado

Só saberei o caminho quando atravessar esse corredor de ausências. Apetece-me saber que minha procura acaba na esquina da escolha. Do melhor amor, o por si próprio. Atrai-me experimentar o inacabado, incompleto, o rascunho, aquilo que acontece comigo quando recebo a dor que não me pertence. Gosto de olhar para o acúmulo de muitos mundos que habitam em mim. Não me importo. Verbalizo. Seco sonhos. Mudo o ritmo. Segrego amores, escondo os gritos no silêncio e pluralizo segredos. Quando vejo já estou invadida, submersa em frases sem pontos finais na reticência de passados presentes. Preciso de vírgulas. Um dia sou multidão, no outro solidão. Ignoro o fato de que existo quando não sou, de quando só encontro singularidade porque me deixei conter. Vivo daquilo que ainda não veio, entretanto se abre os baús das memórias oníricas e toco rostos. Tardo para estar lá e compreender como ainda toco as peças desatentas do destino no escuro. Limito-me a ser assim, sem culpas.
Keli Wolinger
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