terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Granfino e a Caipira V - Fim

Enfim o último capítulo da história. Gostaria de ter postado as continuações com mais freqüência, mas inspiração é algo não muito fácil hehehe...

O enredo geral está na minha cabeça, o difícil é criar nomes para os personagens, ambientar e seguir uma passagem de tempo e inserir os diálogos de forma compreensível. Muitas vezes acordei durante a madrugada para escrever, as ideias surgiam e precisava digitar, ou se parasse para escrever outra hora não seria a mesma coisa. Todo texto precisa de sentimento, caso contrário são apenas palavras soltas.

Espero que gostem beijos até aproxima.

Para quem não leu os primeiros:

O Granfino e a Caipira

O Granfino e a Caipira II - A Mentira

O Granfino e a Caipira III - Apaixonada

O Granfino e a Caipira IV- Pedido de Casamento

Gabriela olhava fixamente as alianças douradas que reluziam sob o veludo preto, não conseguia pronunciar uma palavra siquer um grito estava preso em sua garganta. O silêncio dela serviu como resposta para Jonas:

- “Quem cala consente” já diz o ditado, então irei entender que a sua falta de palavras significa um sim ao meu pedido.

Gabriela permanecia perdida em seus pensamentos tentou se recuperar do susto olhou para Jonas e percebeu que os pais dele estavam comemorando ficou sem ação. Queria sair correndo não estava preparada para casar com Jonas, ela sabia que o sentimento que nutria por ele não era o suficiente para se casarem.

O jantar transcorreu normalmente, mas ela parecia estar distante de tudo apenas sorria com os cantos dos lábios e permanecia em silêncio. Jonas a deixou em casa já iriam se despedir quando ela o interrompe:

- Jonas, por favor, preciso dizer algo, mas não quero que me interprete mal. Esse presente que você me deu, ou melhor esta aliança não significa que iremos nos casar em breve não estou preparada para isso, muito menos você tenho outros planos sabe disso e um deles não é estar casada antes de iniciar pelo menos uma faculdade. Vou prestar vestibular mês que vem e é apenas nisso que estou concentrada.

Jonas abaixou a cabeça e fixou seus olhos em algum ponto no chão quando exclamou:

- Você não aceitou meu pedido por que não me ama? Ou melhor, a verdade é que estamos juntos há um ano e no seu coração não existe lugar para outro, nesse caso eu. O que você não entende Gabriela, é que para ter o seu amor eu preciso travar uma luta diária com um fantasma do seu passado chamado Rafael.

Ela sentiu seu rosto enrubescer, os olhos marejarem, os pensamentos giravam desordenadamente em sua cabeça ponderou ao responder:

- Nunca escondi de você que eu era apaixonada por outro, não menti em momento algum. Tudo mudou estamos juntos temos um relacionamento existe muito carinho, afeto, respeito.....

- Mas não é amor, é disso que estou falando – Jonas a interrompeu.

- Se você prefere interpretar assim qualquer coisa que eu diga, ou faça não fará a mínima diferença para você. Quero que entenda de uma vez por todas que gostei da surpresa e vejo o gesto como uma reafirmação do nosso relacionamento e não uma obrigação que temos que cumprir em meses.

Jonas respirou profundamente enquanto falava de forma pausada:

- Entendi Gabriela, espero que goste do modelo das alianças que escolhi e pelo menos a use como sinal de compromisso.

Ela fez um gesto afirmativo com a cabeça mordendo o canto dos lábios, ele se aproximou beijou-a na testa e se despediu.

Gabriela passou a usar a aliança dourada no dedo anular da mão direita, o brilho do objeto lhe causava calafrios. Ela e Jonas não tocaram mais no assunto desde o dia que ele a presenteou.

O dia do vestibular chegou, ela estava tensa já havia iniciado uma faculdade e desistido, essa seria sua segunda chance para provar a todos e a si mesma que conseguiria estava preparada para assumir o rumo da própria vida.

Acordou de sobressalto antes do horário previsto. Revisou todo o material inúmeras vezes e seguiu para o local da prova. Uma angustia tomava conta do seu coração não conseguia entender por que. Iniciou a primeira etapa dos questionários e terminou antes do que havia calculado. Vagou pelos corredores da universidade enquanto decidia o que iria comer, antes de enfrentar a segunda parte da avaliação.

Não sentiu vontade de ligar para Jonas, mesmo assim fez ele demorou a atender trocaram poucas palavras, agitada ela tinha a impressão que alguém estava a observando chamando por ela. Gabriela olhou para trás seu coração pulsou na garganta sentia o sangue congelar em suas veias era ele, Rafael a menos de 100 metros dela.

- Não pode ser – proferiu ela assustada.

Ele começou a andar em sua direção, por mais que desejasse ela não conseguia mover seus pés a adrenalina percorria todo seu corpo.

Rafael se aproximou – Ainda tem o mesmo sorriso; pensou ela.

- Gabriela, há quanto tempo jamais imaginei te encontrar por aqui é muito bom te rever.

Ela não sabia o que falar seu corpo não obedeceria aos comandos dos seus pensamentos ela queria abraçá-lo, se jogar em seus braços e dizer que não havia o esquecido, mas conteve-se apenas sorriu.

Conversaram por um longo tempo até o momento em que ela percebeu que ele parou de sorrir e sua expressão foi questionadora ao fixar o olhar em sua mão direita. Gabriela quis correr, mas era tarde demais ele havia percebido o objeto dourado da qual ela sentia pavor.

- O que é isso no seu dedo? Você vai casar? Não me diga que é com...

Ela sabia que não poderia esconder por muito tempo e respondeu a pergunta antes que ele terminasse a indagação.

- Resposta para a primeira pergunta sim eu estou noiva do Jonas, e dois não pretendo casar logo. Ganhei este presente como um símbolo de carinho.

- Para mim isto tem outro nome é noivado - irrompeu ele.

- Rafael tá na minha hora preciso mesmo ir – disfarçou ela tentando encontrar uma maneira de fugir daquela situação.

-Espera – completou ele segurando o braço de Gabriela.

Seus corpos ficaram próximos ela conseguia sentir o cheiro que emanava da pele dele, o calor que ele transmitia, seu coração pulsava forte a respiração ofegante, a corrente elétrica percorrendo em seu sangue.

Ela podia sentir o desejo nos olhos dele assim como ele percebia o mesmo nos olhos dela. Rafael acolheu o corpo de Gabriela junto ao dele, seus rostos ficaram próximos quando ela sentiu os lábios se tocarem retrocedeu, se desvencilhou dos braços dele e apenas disse:

- Perdoe-me não posso.

Correu o mais rápido que pode não olhou para trás, lágrimas desciam pela sua face um sentimento de culpa se abateu sobre ela não poderia ceder tinha que pensar em Jonas, ele não merecia tamanha traição.

O reencontro com Rafael não saia de seus pensamentos, o relacionamento com Jonas era cada dia mais insustentável, ela pensava até quando conseguiria viver de aparências.

Ela e Jonas mais uma vez tinham brigado por motivos torpes.Gabriela foi a um em “happy hour”, com suas amigas para se distrair e esquecer as brigas rotineiras. Não demorou para Rafael aparecer, porém ele não estava sozinho havia uma garota abraçada a ele. Seus olhares se encontraram, mas seus corpos não.

Gabriela decidiu que esqueceria de uma vez por todas Rafael e que as sombras do passado não a assustariam mais.

Era um dia de trabalho como outro qualquer final de tarde ela já pensava na aula que teria a noite. Foi interrompida de seus devaneios ao ouvir seu nome.

- Gabriela? Uma voz grave pronunciou.

- Sim – respondeu ela observando o rapaz a sua frente com uniforme de uma floricultura segurando nas mãos uma rosa com um envelope.

- Entrega para a senhorita – sorriu gentilmente o jovem.

- Obrigada – exclamou por entre os dentes.

Suas mãos tremiam ao abrir o pequeno papel dobrado no interior do envelope o que realmente a surpreendeu foram as breves palavras descritas:

“Me espere amanhã irei te buscar preciso falar com você.

Não posso esperar mais tempo, não mais do que já esperei.

Beijos, Rafael”.

Sentiu o chão abrir sob seus pés e pensou que ele só poderia estar maluco ao supor que ela o esperaria. O novo dia chegou ao terminar o expediente siquer olhou para os lados entrou no primeiro ônibus que viu deu inúmeras voltas até chegar em casa.

Tomou um banho demorado já iria para a cama quando seu celular tocou. Lisi sua melhor amiga a convidando para sair pensou em rejeitar o convite, porém acabou aceitando permanecia à espera da sua companhia ao ouvir seu celular tocar novamente no visor um número desconhecido.

- Alô – atendeu ela

- Estou na frente da sua casa pode vir aqui?

Seu coração disparou ao reconhecer a voz de Rafael do outro lado da linha.

- Você está doido como conseguiu meu telefone? Questionou ela.

- Pode não acreditar, mas é incrível o que uma mulher pode fazer para ajudar sua melhor amiga inclusive convencer ela a sair quando não quer – a voz continha um tom de ironia.

- Não acredito que a Lisi te passou meu telefone!

- Elementar minha cara Gabriela, amigos em comum lembra? Trabalhamos juntos e percebo que você não mudou, então não foi muito difícil conseguir seu novo número. Os tempos mudaram nossos amigos não.

- Tudo bem eu vou falar com você, apenas saia da frente da minha casa fique na próxima rua já te encontro, como você mesmo disse os tempos mudaram.

Gabriela seguiu até o local combinado ele a aguardava encostado na porta do carro de braços cruzados e um sorriso largo no rosto.

Pelo caminho ela pensava: - A Lisi vai ter que acertar contas comigo como ela pôde!

Aproximou-se de Rafael, antes que ela conseguisse dizer qualquer palavra ele a beijou. Ele a mantinha segura junto ao seu corpo, com uma das mãos em sua nuca e a outra em sua cintura, ainda com os lábios próximos aos dela sussurrou:

- Vou te fazer dois pedidos número um, por favor, tira essa aliança está me incomodando, segundo e mais importante que o primeiro volta para mim?

Ela preferiu responder com um beijo. Entraram no carro seguiram para uma praia nos arredores da cidade.

Gabriela se rendeu entregou-se aos desejos que sentia por Rafael tiveram apenas a lua por testemunha.

Estava deitada sob o peito de Rafael enquanto ele acariciava seus cabelos e dizia:

- Não vou te perder novamente amo você...

Ela sorriu para si mesma e pensou no que faria pela manhã, o que diria a Jonas?Contaria tudo o que aconteceu não sufocaria mais o amor que sentia por Rafael, ela daria todas as explicações possíveis amanhã, mas isso seria apenas amanhã.

FIM

Keli Wolinger

10 comentários:

  1. Oiee Keli...
    Percebo que vc não dorme né...rs
    Olha quem fala...
    bjs

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  2. Esse teu horário tá errado...
    São 04h59min...

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  3. Nossa! Como vc escreve bem! Muito melhor que esses romances de banca, muito melhor de verdade, pois transmite emoção e não nauseas rs... Bjos na alma!

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  4. Já volto pra comentar aqui, primeiro vou ler os capítulos anteriores.

    bjinho

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  5. A Insonia é minha amiga Júlio..heheh é nessa hora que tenho as melhores ideias.

    Bjo

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  6. Já pensei nisso Marcelo, e também comecei a escrever um livro já estou no terceiro capítulo, porém é aquela coisa escrevo mais umas coisas ai tenho que encaixar mais ta indo quando terminar mostro para todos.

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  7. Obrigada Reyel! Belas palavras vou procurar escrever mais romances meus contos, ou história são sempre ficcção hihi...

    Abraços

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  8. Valeu Mitti aguardo seu comentário =D

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  9. Bela postagem, fiz uma leitura de ótimo conteúdo, adrei sua visita, sou um viciado em buscar o q ler e o q encontro? Um deleite para alma, uma belezura para o coração, além do seu lindo perfil, foi mto bom passar por aqui, pra vc, bjos, bjos, bjossss

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