sábado, 5 de dezembro de 2009

O Granfino e a Caipira – III Apaixonada

Gabriela e Rafael começaram a se ver todos os dias.

Ele esperava por ela todas as noites em frente ao colégio para levá-la para casa. Já se passavam três semanas que estavam juntos. Rafael sempre a deixava na porta de casa, mas não ficava até muito tarde com ela, primeiro porque Gabriela precisava trabalhar no dia seguinte e segundo a mãe dela o detestava.

Sempre que saíam, ela tinha horário para voltar até mesmo nos finais de semana. Ele jamais havia passado da porta da sua casa.

Era quinta feira o dia místico da abertura dos portais sísmicos. Encontraram-se como de costume, ele estava empolgado tinha uma novidade para contar para Gabriela ele queria fazer uma surpresa.

- Oi como você está? Ele a cumprimentou com um leve beijo nos lábios.

- Bem e você? O que houve para tanta euforia? Questionou ela arqueando a sobrancelha.

- Preciso te contar algo e sei que você vai gostar, pelo menos eu gostaria que sim.

Ela prendeu a respiração não sabia ao certo porque ficou apreensiva e enfim disse:

- Fala logo! Detesto rodeios seja direto.

-OK! Calma não fica nervosa, a novidade é que eu vou começar a trabalhar e adivinha onde?

Um calafrio lhe subiu pela espinha quando ela respondeu:

- Hum... você vai voltar a jogar futebol?

Ele sorriu ironicamente e disse:

- E se fosse? Você não gostaria? Vai dizer que teria ciúmes?

A face dela enrubesceu. Seus pensamentos eram muito rápidos e ela falou a primeira coisa que passou pela sua cabeça:

- Não seja tão egocêntrico, é por que é a única coisa que você sabe fazer não é? E Não sentiria ciúmes de você, pois não temos vinculo algum.

Rafael parou de sorrir olhou para o chão como que procurando sentido nas palavras que ela dizia:

- Desculpe a brincadeira serei breve apenas queria te dizer que vamos trabalhar juntos, só isso. Começo na próxima semana seremos colegas e poderemos ficar mais tempo juntos.

A revelação soou como um bater de sinos em um rochedo ecoando pela imensidão dos pensamentos de Gabriela.

-Hã?Não compreendi eu.... é........ desculpe-me não quis te ofender e também fiquei surpresa com tudo isso eu não esperava.

A resposta foi um simples :- Tudo bem.

Não se falaram o resto do caminho até a casa dela, quando chegaram ele disse:

- Até amanhã , a beijou e se despediu.

Ela sentiu um nó na garganta teve vontade de chorar foi como se um vazio se abrisse dentro de seu estômago.

No outro dia ele não estava a esperando ela não compreendeu, porém preferiu não tirar conclusões precipitadas ele também não ligou. Ela chegou em casa tomou um banho demorado e foi se deitar, várias perguntas surgiram ela ainda tentava entender como havia se envolvido com alguém tão diferente.

Rafael era um rapaz de 20 anos, que não trabalhava, não estudava, ainda sobrevivia da mesada dos pais. Ele era jogador de futebol, desempregado, mas mesmo assim um atleta. Sempre rodeado de garotas e vários amigos para curtirem uma balada as diferenças eram tão gritantes entre eles pareciam que sempre estavam caminhando para lados opostos.

Ela não conseguiu dormir acordou exausta, mal conseguia se concentrar no trabalho - ele não havia dado notícias. Não foi buscá-la, pela primeira vez ela deixou escorrer uma lágrima pelo rosto.

Estava em casa lendo no quarto quando sua mãe abriu a porta e a chamou:

- Gabriela! Tem um rapaz chamado Rafael aguardando por você na sala....

Ela levantou de sobressalto assustada com a situação apenas pensou: como ele apareceu ali sem avisar. Pegou a primeira camiseta que viu pela frente, amarrou os cabelos e pediu para sua mãe que avisasse a ele que ela já iria.

Quando chegou à sala Rafael estava sentado no sofá segurando uma flor nas mãos, quando a viu veio em sua direção entregou a flor e disse:

- É para você aceita?

A resposta foi um sorriso. Então ela o questionou:

- O que você está fazendo aqui? Por que não me ligou antes?

- Eu vim falar com sua mãe pedir se você pode sair comigo hoje.

Gabriela sentiu seu estômago na garganta, imaginou qual seria a reação da sua mãe ao pedido de Rafael e preferiu nem cogitar. Chamou sua mãe até a sala e informou que o rapaz queria fazer um pedido saiu o mais depressa que pode disse que iria se arrumar na verdade não queria ver a cena.

Voltou alguns minutos depois ele estava sozinho então perguntou:

- O que ela te falou?

Ele ensaiou um meio sorriso e falou:

-Nada que qualquer mãe não diria, outra hora te falo mais o importante é que você poderá sair comigo hoje e semana que vem vamos em uma festa, já pedi autorização e obtive.

Se abraçaram e riram.A noite foi agradável ele a apresentou para os amigos se divertiram os dias se passavam de rápido a cada dia estavam mais próximos ela estava apaixonada mais não revelou a ele sentia que ele também gostava de sua presença, mas ele era uma incógnita uma parede intransponível nunca deixava transparecer seus reais sentimentos. Ela teve vontade de se entregar a ele, porém não entendia ao certo porque nunca seus instintos diziam não. O que levou ela a se apaixonar por ele não tinha explicação, pois eram de mundos diferentes totalmente opostos, mas ele a fazia rir não somente com os lábios, mas com a alma.

O tão esperado dia da festa chegou. Gabriela estava ansiosa se produziu como nunca contava os minutos no relógio ele viria buscá-la às 23 horas. Os ponteiros do relógio colaram no horário combinado ele não veio. Ela esperou uma, duas, três horas e desistiu.

Com os olhos marejados mais uma vez disse a si mesma que não se iludiria novamente, não seria porque ele a fez voltar a sorrir que a magoaria profundamente. Tomou um longo banho e foi para cama cochilou quando foi despertada pelo toque do celular, confusa tentou abrir os olhos no visor marcava 05horras e 30minutos da manhã ela atendeu com uma voz sonolenta:

- Alô....

Do outro lado da linha muito barulho e a voz que respondia parecia enrolada, logo ela entendeu era Rafael o motivo da fala quase inaudível era que ele estava embriagado e resolveu telefonar.

- Gabi ?!! Sou eu pequena... tá me esperando? Desculpa eu não fui te buscar é porque eu estou em uma festa com meus amigos e.....

Mudo, ela preferiu não escutar o que ele tinha a dizer desligou o telefone e se amaldiçoou por que ainda atendeu a chamada. Ela viu o sol nascer era um lindo dia, mas havia decidido que não sairia do quarto nem por decreto e assim fez, não comeu direito e preferiu curtir apenas seus pensamentos. Sua mãe a chamou, para dizer que Rafael estava em frente a sua casa chamando por ela.

Gabriela pediu que avisasse que não estava. Ela preferia o ver no dia seguinte no trabalho, não gostaria que ele a visse com os olhos inchados.

A segunda feira chegou um belo dia para um confronto. Estavam todos no refeitório antes do início do expediente ela conseguia ouvir a voz de Rafael entre risos dos outros colegas se aproximou devagar ate a porta para ouvir a conversa. Um dos colegas a viu ela apenas fez um gesto para que ele não alardeasse sua presença ele consentiu, nessa hora pode ouvir ele contanto aos amigos suas aventuras do final de semana:

- Cara, velho nem lembro viu tava muito travado sábado, eu ia sair com uma garota , mas os meninos passaram lá em casa e me carregaram para festa não consegui voltar e tipo nem lembro como cheguei em casa. E ontem a mina não quis falar comigo então encontrei a galera na praia e fomos para um apê de umas gurias tinha que tirar o atraso né?!

Todos riram foi o que bastou para Gabriela ela não queria ouvir mais nada já sabia o que precisava. Abriu a porta e entrou, quando Rafael a viu seu sorriso desapareceu da face e uma ruga de preocupação se formou em sua testa será que ela ouviu a conversa?

Ambos se olharam e o silêncio pairou no ar...

To be continued....

Keli Wolinger

2 comentários:

  1. Fala Keli... BLZ??

    O Tô Ligadoe stá de volta... atualizações mais que normais!!!!

    Abraços!!!
    Brunno

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  2. Esqueci de comentar...

    Adorei o novo visu do Anacronica!!!

    Bjuss

    ResponderExcluir

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